Registros de debêntures caem no trimestre

Com menor presença das empresas de leasing, as emissões de debêntures - títulos de renda fixa emitidos por empresas e instituições privadas - perderam força no início deste ano. As ofertas registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) somaram R$ 4,9 bilhões nos três primeiros meses de 2006, contra média trimestral de R$ 10,4 bilhões no ano passado, cujo volume total foi de R$ 41,5 bilhões - um recorde. A redução do ritmo já era esperada caso as empresas de leasing se retirassem do mercado. Essas companhias responderam por R$ 28,6 bilhões ou 69% do total de ofertas do último ano, atuando como carro-chefe do mercado. Segundo a própria Associação Brasileira de Leasing (Abel), esse movimento dificilmente se repetirá porque já foi criado um colchão de liquidez. Neste ano, apenas a Panamericano Arrendamento Mercantil registrou emissão, de R$ 250 milhões. Com as operações, o objetivo das empresas era a captação de recursos para a expansão das atividades, tendo em vista as perspectivas de crescimento da economia. O aumento dos negócios de leasing já começou no ano passado e deve persistir neste. A carteira do segmento fechou 2005 no nível histórico de R$ 21,9 bilhões, com expansão de 56,6%, puxada, principalmente, pela aquisição de veículos por pessoa física. O aquecimento da economia previsto para este ano deve aumentar os negócios também de empresas, que terão de renovar frotas e adquirir máquinas, o que pode ser feito via leasing. Para facilitar os lançamentos de debêntures, essas companhias também arquivaram no ano passado, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), programas de distribuição que totalizam R$ 24 bilhões. Embora não tenham marcado presença no primeiro trimestre, não significa que o leasing ficará de fora do mercado durante todo o ano. Já no segundo trimestre deverão começar a aparecer algumas operações do segmento, pois duas estão em análise na CVM: uma da ABN Amro Arrendamento Mercantil, no valor de R$ 1,5 bilhão, e outra da BV Leasing, de expressivos R$ 3 bilhões. Para 2006, a expectativa da Abel é a de um crescimento entre 30% e 35% para o saldo da carteira do setor de leasing. No geral, apesar dos recordes de volume, o mercado de debêntures continua concentrado em poucas e grandes companhias, que realizam megaofertas e inflam o movimento total. O custo de captação ainda é alto para que empresas de menor porte acessem o mercado. À medida que os juros caírem de forma mais consistente e os investimentos corporativos aumentarem, acompanhando o ritmo da economia, o mercado deve também ganhar novo fôlego, segundo especialistas. (Resumo de análise divulgada pelo AE Empresas e Setores, serviço de informação e análise do setor produtivo, de empresas e de ações da Agência Estado)

Agencia Estado,

28 Abril 2006 | 07h00

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