Rendimento da poupança cairá de 8% para 7,2% ao ano

O rendimento da caderneta de poupança pode cair cerca de 10% com a nova fórmula para o cálculo da Taxa Referencial (TR), decidida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) esta semana. A conta tem como base a taxa anual de juros (Selic) de 11% prevista para o segundo semestre deste ano. Segundo o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, o rendimento atual da poupança, em média de 0,64% ao mês, cairá para 0,58%. No ano, baixará de 8% para 7,2%. "Quem tem R$ 1 mil aplicados na poupança vai ganhar R$ 5,80 ao mês, em vez de R$ 6,40", exemplifica Oliveira. O mesmo ocorrerá com a remuneração das contas vinculadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que deve baixar de 5% ao ano para 4,5% (TR mais 3% ano). Sairão ganhando, por outro lado, os mutuários da casa própria, cujos contratos são corrigidos pela TR e ficarão mais baratos na mesma proporção. A mudança anunciada ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) era necessária, diz Oliveira, mas ocorreu num momento errado. "Deveria ter sido feita quando os fundos de investimento estavam em alta; promover a mudança agora não foi oportuno." Na visão do executivo da Anefac, o governo cedeu às pressões dos bancos, preocupados com o descasamento entre o rendimento da caderneta de poupança e dos demais fundos de investimentos. Para ele, mesmo que ocorram pressões da sociedade, dificilmente a medida será alterada.

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