Resultado da GM no Brasil foi decisivo em 2006

A General Motors teve prejuízo global de US$ 2 bilhões no ano passado. O resultado, apesar de negativo, aponta para a recuperação da companhia que em 2005 perdeu US$ 10,4 bilhões. A melhora ocorreu a partir do último trimestre, quando começaram a aparecer os resultados da grande reestruturação promovida pelo grupo, que fechou fábricas, demitiu milhares de trabalhadores nos Estados Unidos, vendeu alguns ativos e reduziu custos de produção.Depois de seguidos prejuízos, a maior fabricante de veículos no mundo conseguiu lucrar US$ 180 milhões no último período de 2006. A região que engloba a América Latina, África e Oriente Médio (Laam) ganhou o equivalente a 70% desse montante, ou US$ 128 milhões. O Brasil é responsável por 40% das vendas desse grupo.Incluindo a receita obtida com a venda de 51% da GMAC, o braço financeiro da empresa, o lucro global sobe para US$ 950 milhões. "Precisávamos que 2006 fosse um grande ano, e foi", disse o presidente da GM, Rick Wagoner, por meio de nota. Segundo ele, a "performance reflete o significativo progresso que fizemos para transformar a GM em uma empresa mais competitiva, global e sustentável".No ano, o melhor desempenho da GM foi obtido na região da Laam. O lucro total ficou em US$ 533 milhões, três vezes e meia mais que em 2005, quando somou US$ 152 milhões. Foi o melhor resultado desde a criação dessa divisão, há dez anos.Wagoner destacou que "a divisão Laam tem sido capaz de aproveitar as oportunidades de crescimento na região, superando a marca de 1 milhão de unidades vendidas e com impressionantes resultados em receita e lucro."Outras regiõesNa região da Ásia e Pacífico, a GM obteve lucro de US$ 441 milhões e, na Europa, de US$ 227 milhões. Já na América do Norte, o prejuízo somou US$ 4,6 bilhões, embora no último trimestre também tenha apresentado recuperação. Os custos estruturais da companhia foram reduzidos em US$ 6,8 bilhões.Apesar do alívio com a recuperação, Wagoner reforçou que "ninguém na GM está declarando vitória, porque ainda há muito mais trabalho a ser feito para se atingir uma sólida rentabilidade". O grupo também terá de se esforçar para não perder a posição de número um para a Toyota que, pelas suas projeções, espera passar a concorrente ainda este ano, com produção superior a 9 milhões de veículos.No mundo todo, a GM vendeu no ano passado 9,1 milhões de veículos, dos quais 4,1 milhões nos EUA, Canadá e México, mais de 2 milhões na Europa, 1,25 milhão na Ásia/Pacífico e mais de 1 milhão na América Latina, África e Oriente Médio.Nas vendas individuais por país, o Brasil, com 410 mil unidades, é o quarto maior mercado da marca, atrás de EUA, China e Canadá. "Nosso objetivo é pular para o terceiro lugar este ano, na frente no Canadá", disse o presidente da GM do Brasil, Ray Young.Brasil"A GM do Brasil foi a que mais contribuiu para o resultado da região", disse Young. O grupo não divulga balanço só do País, que fatura US$ 6 bilhões e participa com 40% das vendas da divisão que inclui América Latina, África e Oriente Médio.A filial brasileira operava há oito anos no vermelho. O lucro foi obtido com a melhora das vendas internas, que cresceram 9% (para 410 mil unidades) e redução de custos. A exportação caiu 20%.Young projeta para 2007 aumento de 10% nas vendas, mas teme que uma crise nos EUA, detonada pelo setor imobiliário, possa atingir o mercado mundial e o Brasil. "Se a economia americana cair, puxará as outras."Com o desempenho de 2006, Young espera obter aval da matriz para um investimento extra de US$ 1 bilhão em 2009 e 2010 em dois novos carros.A GM só ampliará capacidade produtiva, com terceiro turno de trabalho em Gravataí (RS), se o consumo interno total atingir 2,2 milhões de carros. Por enquanto, a aposta é em 2,1 milhões. No primeiro bimestre, as vendas da GM cresceram 4%, ante 15% do mercado. "Faltou produto, mas vamos regularizar a produção até abril", disse Young. Há fila de espera de 40 dias para o modelo Prisma e de 10 dias para Celta, Corsa e Classic.Segundo Young, a GM não brigará por participação de mercado e optou por consolidar-se no terceiro lugar, atrás de Fiat e Volkswagen.

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