Retorno da Vale dispara após a privatização, diz FGV

O desempenho da companhia Vale do Rio Doce melhorou significativamente após a privatização, em 1997. Um estudo feito pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que vários indicadores financeiros e operacionais melhoraram desde a venda da empresa. Um exemplo é a margem líquida - o quanto o lucro é representado pelas vendas. Antes da privatização, o lucro da Vale correspondia a 6,42% da soma do faturamento das mineradoras brasileiras. Hoje, o resultado da empresa chega a 21,92% do total. Outros dados, como a receita operacional e o retorno sobre ativos, também comprovam o avanço da companhia, o que possibilitou a compra da mineradora canadense Inco. A operação fez a companhia brasileira disparar par ao segundo posto no ranking das maiores mineradoras do planeta. Segundo Willian Eid Junior, um dos coordenadores do estudo, tanto a Vale quanto outras empresas brasileiras que passaram para a iniciativa privada hoje são mais eficientes, mais lucrativas e mais saudáveis financeiramente, conclusão que bate de frente com o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, crítico do processo de privatização. ?Se a Vale tivesse se mantido estatal, certamente não seria a empresa que é hoje?, avalia o economista. ?Provavelmente seria uma empresa a ser comprada, e não uma compradora.? Segundo Eid Junior, acionistas da Vale passaram a ter retorno acima da média paga por outras empresas do setor. O número de empregados da Vale correspondia a 89,4% do total de trabalhadores da área de mineração, participação que caiu para 53,9%. ?Era uma empresa inchada em relação às demais?, diz Eid Junior. A queda não significa diminuição de empregos. De acordo com Maria Silvia Bastos Marques, ex-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN, outra companhia privatizada) e ex-diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Vale tinha 11 mil funcionários em 1997 e hoje tem 44 mil. Segundo ela, o investimento programado para este ano, de US$ 4,6 bilhões, supera em mais de dez vezes o valor desembolsado no ano da privatização. O trabalho da FGV foi feito com base em estudo mundial que analisa privatizações em diversos países e compara os resultados de cada companhia em relação ao setor em que atua. Em todos os casos, os resultados apontam melhora no desempenho após a desestatização. Eid afirma que a maior resistência à privatização vem do interesse em preservar cargos em estatais para nomeação política. Além da Vale, o estudo compara a performance pós-privatização de outras 12 empresas, entre as quais CSN, Embraer e Usiminas.

Agencia Estado,

26 de outubro de 2006 | 12h13

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