Retorno dos estrangeiros na bolsa é consistente, diz Ágora

Para Álvaro Bandeira, bolsa deve fechar o ano em 48 mil pontos, mas não descarta um desempenho melhor

Luciana Xavier e Paula Laier, da Agência Estado,

20 de fevereiro de 2009 | 19h27

O retorno dos estrangeiros na Bovespa é uma tendência que deve continuar, na opinião do diretor da corretora Ágora, Álvaro Bandeira. "É um retorno consistente", disse em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. Segundo ele, o Brasil tem a seu favor o fato de estar em situação econômica melhor que os países desenvolvidos e sem os problemas bancários vistos na Europa e Estados Unidos. "Mas contra nós, há o fato de que o mercado acionário nos (países) desenvolvidos também ficou muito barato", ressaltou.    Ouça a entrevista   Com o retorno, devem ser beneficiadas as ações de maior liquidez como das companhias siderúrgicas, mineradoras e de petróleo. Num segundo momento, estima Bandeira, a atenção deve se voltar para as empresas de menor capitalização, as "small caps", que perderam muito desde o início da crise.   Bandeira disse que os balanços das empresas referentes ao quarto trimestre têm vindo em linha ou até mesmo melhores que as expectativas. "Comparativamente à economia americana estamos com posicionamento melhor", disse. Esses resultados, segundo ele, já foram precificados pelo mercado de ações, mas ainda será possível observar reações pontuais.   Para o diretor, há um leve descolamento do Ibovespa em relação ao Dow Jones. Enquanto o Dow registrava perdas de quase 14% no acumulado do ano, o Ibovespa acumula ganhos de mais de 6%. "Mas os ganhos já foram de 13%, 14% no início do ano. No médio prazo, os dois (índices) devem andar mais parecidos."   Bandeira acredita que a retomada da economia brasileira e mundial deve ocorrer somente em 2010, mas o mercado poderá antecipar esse movimento já no quarto trimestre deste ano, o que serviria de impulso para a Bovespa.   Segundo ele, com os sinais de recuperação no horizonte, a bolsa pode fechar o ano ao redor de 52 mil pontos, embora a corretora ainda mantenha o cenário básico de fechamento em 48 mil pontos.   O diretor da Ágora acredita que o Brasil não escapará de uma recessão técnica, mas acabará o ano com PIB positivo ao redor de 2%, mas não descarta que seja um pouco abaixo disso, em 1,8%. Ele disse ainda que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) tem espaço para derrubar a Selic para 10,5% este ano, sendo que na reunião de março o comitê deve repetir corte de 1 ponto porcentual, para 11,75%.

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