Risco Brasil cai abaixo do recorde de fechamento

O mercado de títulos da dívida externa de países emergentes comemora o fato de o banco central americano (Federal Reserve) ter cumprido a expectativa e mantido a taxa básica de juros em 5,25% ao ano. A perspectiva de o juro voltar a subir, caso a inflação nos EUA supere o que é considerado razoável para o Fed, não preocupa os investidores nesse momento. O risco avaliado pelo índice Embi+ do banco de investimentos J.P. Morgan para vários mercados emergentes encontra-se em queda nesta manhã, apesar da realização de lucros verificada hoje entre os títulos do Tesouro dos EUA. O risco brasileiro, por exemplo, opera abaixo da mínima histórica de fechamento, de 214 pontos. Às 11h58 (de Brasília) recuava 8 pontos, para 208 pontos, enquanto o spread do Embi+ para todos os emergentes acompanhados pela instituição cedia 4 pontos para 184 pontos. O títulos brasileiro Global 40 era cotado em 129,60 cents na compra e 129,750 cents para venda, na corretora ICAP/Garban, de 129,45 cents ontem. Mas a volatilidade deve continuar, tendo em vista que o BC americano segue dependente dos indicadores econômicos para definir seus próximos passos em relação à política monetária. Ao mesmo tempo, o fato de o risco dos países emergentes se encontrar muito próximo das mínimas históricas favorece a realização de lucros, "mas somente se houver algum evento que altere os atuais fundamentos em relação ao juro nos EUA ou em relação aos países", frisou um operador. Para o especialista em mercados emergentes de uma grande instituição, os papéis devem continuar subindo nos próximos dias, à medida que os investidores reavaliam a alocação de seus recursos frente à decisão do BC americano ontem. Segundo ele, esse processo, que realmente provoca movimento nos preços, demora um pouco. Ontem, comentou, muitos se perguntavam porque o mercado teria reagido com timidez ao anúncio do Fed. O especialista vai mais longe. Acredita que o mercado terá fôlego suficiente para manter a ponta de alta ativa, mesmo diante dos próximos indicadores econômicos e dos próximos encontros do BC americano. Ele defende que o Fed irá observar os indicadores econômicos nos próximos três a seis meses, para ver se sua tese, de que a desaceleração dará conta da inflação, realmente está certa. Para o especialista, o Fed manterá o juro em 5,25% por pelo menos mais duas reuniões. E os investidores manterão o bom humor, à medida que os indicadores divulgados não contrariarem definitivamente a tese do Fed.

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