Spencer Platt|AFP
Spencer Platt|AFP

Risco de crise na Europa derruba bolsas

Mercado financeiro mostrou preocupação com efeitos da saída do Reino Unido da UE e com possível crise na Itália

O Estado de S.Paulo

05 Julho 2016 | 23h02

O temor de uma crise no sistema financeiro da Europa fez com que as principais bolsas fechassem em queda. Nesta terça-feira, 5, os investidores voltaram a se preocupar com possíveis consequências da saída do Reino Unido da União Europeia e com os rumores de que o governo italiano pode ter de socorrer os bancos do país.

A maior queda entre as bolsas ocorreu na Espanha, recuo de 2,28%. Na Itália, a desvalorização do mercado acionário foi de 1,45%. Na Alemanha, ficou em 1,82%, e em Paris foi de 1,69%.

No Reino Unido, ainda como resquício do referendo, três grandes fundos de investimento imobiliário suspenderam os resgates desde segunda-feira. Esse tipo de decisão extraordinária é tomada apenas em momentos de crise.

Desde o resultado do referendo, o valor das cotas dos fundos tem caído e, ao mesmo tempo, aumentado os saques. A agência de classificação de risco Standard & Poor’s diz que grandes carteiras já reduziram o valor do patrimônio em 5% com a marcação a mercado.

Na tarde desta terça-feira, a M&G Investments anunciou que estão suspensos os resgates de cotas da gestora que possui o maior fundo de imóveis comerciais do Reino Unido. Para explicar a decisão que impede o acesso dos investidores ao dinheiro, gestores argumentam que há demanda maior que o normal para saques da carteira que atualmente tem 4,4 bilhões de libras – cerca de R$ 19 bilhões.

Antes da M&G, a gestora Standard Life divulgou medida idêntica para uma carteira de investimento imobiliário de 2,9 bilhões de libras e a Aviva congelou os saques de um fundo do mesmo segmento com patrimônio de 1,8 bilhão de libras. Ao todo, portanto, há 9,1 bilhões de libras – cerca de R$ 39 bilhões – com resgate bloqueado nos fundos imobiliários britânicos.

Na tentativa de evitar um estrago ainda maior na economia do Reino Unido, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) anunciou ontem a redução nas exigências de capital para bancos britânicos em 5,7 bilhões de libras. Com a medida, as instituições financeiras vão poder elevar os empréstimos em 150 bilhões de libras a empresas e famílias.

O BoE disse “esperar fortemente” que os bancos sustentem a economia por meio da concessão de novos empréstimos. As medidas de estímulo ajudaram a Bolsa de Londres a subir 0,35%.

Crise bancária. Os investidores também passaram a temer uma crise no sistema bancário da Itália – terceira maior economia da zona do euro. As preocupações imediatas estão centradas no terceiro maior banco da Itália, o Monte dei Paschi di Siena, que tem a maior proporção de créditos ruins em carteira entre bancos italianos listados. O Banco Central Europeu (BCE) determinou que o banco reduza essas dívidas em 40% em três anos.

Os bancos da Itália estão sufocados com uma pilha de empréstimos ruins. “A Itália enfrenta uma grave crise que é exponencial. Isso não é gradual e não linear”, disse Francesco Galietti, chefe da consultoria de risco Policy Sonar e ex-funcionário do Ministério das Finanças. “A causa imediata é a crise bancária”, afirmou.

A crise pode empurrar a economia italiana de volta para a recessão e, em um cenário apocalíptico, provocar um colapso similar ao da Grécia que seria quase impossível a Europa conter. Desde o referendo no Reino Unido, o índice acionário do setor bancário da Itália caiu 30%. “A Itália é, essencialmente, a linha falha da Europa”, afirmou um ex-funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI), falando sob condição de anonimato

A Itália também enfrenta um quadro de incerteza política, elevando o sentimento de instabilidade. O primeiro-ministro Matteo Renzi prometeu demitir-se caso saia derrotado de um referendo em outubro sobre a reforma constitucional. Por ora, as pesquisas de opinião dizem que ele deve perder por grande margem. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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