Riscos de reestruturação da Telemar preocupam

Os investidores estão preocupados com os riscos apresentados pela reestruturação da Telemar, anunciada na segunda-feira. A operação tem como objetivo concentrar todas as empresas do grupo numa única companhia de capital aberto, chamada Oi Participações, e fazer uma oferta pública de ações, pulverizando o controle. Um dos pré-requisitos é que os papéis preferenciais da Tele Norte Leste, empresa do grupo, alcancem R$ 42,526 até 31 de julho. Ontem, as ações fecharam com alta de 0,3% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a R$ 37,11. Se o piso de preço não for alcançado, há chance de uma queda forte das ações, que devolveriam os ganhos conquistados na expectativa da reestruturação. "Não enxergo o surgimento de fatores de curto prazo que justifiquem a valorização", afirmou o analista do Banco Brascan, Felipe Cunha. "A criação de uma empresa nova, mais atraente para os acionistas, talvez seja o único ponto de apoio." O piso de preço foi criado para garantir ganhos ao minoritário, segundo explicou na segunda-feira a Telemar, compensando a diluição de sua participação. No entanto, ele pode levar a uma valorização artificial do papel, incompatível com o restante do mercado brasileiro de telecomunicações. O valor de mercado, mais dívida, da Telemar iria se tornar equivalente a 5,5 vezes seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) previsto para este ano, bem acima da média. Hoje, a relação está em cerca de três vezes para Brasil Telecom e quatro para a Telefônica. A Telemar irá instalar uma assembléia de acionistas, na qual os minoritários preferencialistas votarão pela realização ou não da operação. Caso aprovem a troca dos papéis, a empresa suspenderá os trabalhos desta assembléia. Uma vez alcançado o intervalo de preços determinado, o encontro será reaberto para sua finalização e só então é que será feita a troca de papéis entre as operadoras e a holding do grupo. Na eventualidade de os preferencialistas não aprovarem a transação, a operação não seguirá adiante. No caso de a assembléia aprovar, mas a oferta dos papéis não ser bem-sucedida, os trabalhos da assembléia serão retomados para cancelar a reestruturação. A oferta secundária de Telemar Participações movimentará em torno de US$ 1 bilhão. O questionamento dos analistas a respeito do sucesso da operação existe porque o prêmio implícito aos controladores foi considerado elevado, em contrapartida ao valor atribuído às ações preferenciais. O valor estipulado para a oferta equivale a um prêmio entre 142% e 167% para os atuais controladores.

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