Rondeau: Petrobras investe na Bolívia para garantir gás

A Petrobras não paralisou totalmente os investimentos na Bolívia. Embora qualquer plano para novos projetos esteja suspenso, a estatal brasileira tem injetado recursos naquele país necessários para garantir o abastecimento de gás natural ao Brasil, segundo afirmou hoje o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, após participar de reunião com representantes do governo do Uruguai na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Os investimentos de reposição têm sido feitos para evitar problemas no suprimento de 30 milhões de metros cúbicos diários de gás destinados, sobretudo, à indústria paulista", afirmou o ministro. "Nosso cuidado é garantir a entrega do gás ao Brasil", complementou ele. Recentemente o presidente da Petrobras na Bolívia, José Fernando de Freitas, afirmou que a produção de gás na Bolívia não permite ao país cumprir sequer seus contratos vigentes com Brasil e Argentina, menos ainda fazer acordos futuros. Segundo ele, a capacidade de produção estaria limitada pela redução de investimentos estrangeiros após a nacionalização das reservas de gás e petróleo decretada em maio. "Se todos os seus mercados pedissem os volumes máximos, e estamos perto disso, a Bolívia não teria capacidade de entregá-los", disse Freitas ao jornal boliviano La Razón. Novos projetosRondeau afirmou que, por decisão de governo, a "Petrobras não deixará isso acontecer e fará os investimentos necessários para abastecer a demanda brasileira". Quanto aos investimentos em novos projetos, Rondeau disse que não falou exatamente que o Brasil vai continuar injetando recursos na Bolívia. "O que eu afirmei foi que não estamos fechados, quem vai definir essa questão é a Bolívia, foram eles que fecharam as portas. Nós estamos esperando", afirmou ele. Na próxima sexta-feira, o ministro viaja para La Paz, onde se reunirá com quatro ministros bolivianos com o objetivo de retomar as negociações dos três grupos de trabalho criados no dia 10 de maio, como resultado de uma reunião de cúpula realizada na ocasião. "Não sabemos por que o governo boliviano paralisou as negociações, mas agora vamos retomá-las", disse o ministro. Esses grupos discutem questões relacionadas à operação, como a propriedade dos poços, transporte e refino. Quanto ao reajuste de preço do gás natural reivindicado pelo governo boliviano, as negociações aconteceram separadamente, mas também foram paralisadas. Segundo Rondeau, a intenção é retomar todas as discussões, mas este tema continuará sendo tratado separadamente. Não descartou, no entanto, a possibilidade de serem criados mais um ou dois grupos para incluir novos itens de negociação. "O importante é que as conversas sejam retomadas", afirmou, lembrando que o prazo de 180 dias vence dia 25 de outubro e até agora não se chegou a nenhum consenso.

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