Royal Bank prevê dólar a R$ 2,35 no curto prazo

O Royal Bank of Scotland (RBS) prevê que a atual onda de volatilidade nos mercados internacionais causada principalmente pelo temor de um desaceleração acentuada da economia dos Estados Unidos e uma queda nos preços das commodities poderá levar o câmbio no Brasil a uma cotação de, no mínimo, R$ 2,35 por dólar no curto prazo. "Duas forças estão começando a atingir o real: fraqueza do preço das commodities e enxugamento da liquidez ", afirmaram os analistas Gene Frieda e Flavia Cattan-Naslausky, ambos do RBS, em nota para clientes. "Essas duas forças devem continuar no curto prazo e por isso vemos R$ 2,35 como um alvo mínimo para a moeda brasileira diante do dólar." Os analistas observam, que em comparação ao resto da América Latina, o Brasil não é particularmente dependente das exportações de commodities. Para Argentina, Equador e Venezuela, as matérias-primas representam uma fatia de 60% do total das exportações. "Mas com as commodities representando cerca de 29% das exportações no Brasil, as vendas externas de bens primários têm registrado seus níveis mais elevados desde meados da década de 80 durante o atual ciclo", afirmaram. Além disso, cerca de metade das exportações brasileiras de produtos semi-manufaturados, que representam 7% do total das exportações, também são commodities, como o açúcar, polpa, alumínio e aço. "Entre 2003 e 2004, a aceleração das exportações brasileiras foi ancorada principalmente em volumes maiores, mas recentemente essa história foi alterada dramaticamente", afirmaram Frieda e Cattan-Naslausky. Segundo eles, os dados mais recentes mostram "uma crescente dependência dos termos positivos do choque comercial mundial para a forte performance comercial do Brasil". Nos doze meses anteriores a agosto passado, observam, o aumento nos preços das commodities foi responsável por cerca de 75% no aumento de 17,2% das exportações do país. Enquanto isso, os volumes de exportações de bens de consumo duráveis ou não duráveis declinaram no mesmo período 4,8% e 4,3%, respectivamente. "O brilho ainda tem que sair do real por causa dos termos positivo do comércio, que mascaram a piora dos volumes das exportações", afirmaram. "Mas se o ambiente para o comércio começar a mudar, isso poderá levar a um significativo ajuste no real."

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