Ruído dos EUA sobre yuan não ajuda, diz presidente do BC chinês

A China enfrenta pressão crescente dos EUA para permitir a apreciação do yuan em relação à moeda americana

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

22 de março de 2010 | 16h26

O presidente do banco central da China, Zhou Xiaochuan, disse que o barulho excessivo dos congressistas dos Estados Unidos em relação ao yuan chinês não contribui para o debate sobre as políticas econômicas entre os dois países.

 

"Podemos discutir esse assunto em termos de quais combinações de políticas globais poderiam ajudar" tanto os EUA quanto a China, disse Zhou a repórteres durante a reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Cancún. "Mas não achamos que muito barulho seja algo útil."

 

A China enfrenta uma pressão crescente dos EUA para permitir a apreciação do yuan em relação ao dólar.

 

Zhou disse que os formuladores de políticas dos EUA estão sob pressão, já que o desemprego no país continua elevado apesar dos "sinais de recuperação" na economia. "Mas você sabe que essa é uma questão muito complicada", afirmou a autoridade. "Na China também temos um trabalho tremendo para gerar empregos."

 

O Departamento do Tesouro dos EUA deve decidir até 15 de abril se classificará a China como um país que manipula o câmbio num relatório semestral enviado ao Congresso. O rótulo ajudaria os congressistas norte-americanos a avançar com projetos de lei como o apresentado na semana passada por alguns senadores, que prevê a introdução de tarifas e outras penalidades sobre países que não adotarem medidas para alinhar o câmbio.

 

No domingo, o ministro de Comércio da China, Chen Deming, alertou os EUA que Pequim não vai ignorar a adoção de qualquer sanção comercial que utilize como argumento a relação cambial entre o dólar e o yuan.

 

Do momento em que o yuan perdeu o lastro com o dólar, em julho de 2005, até meados de 2008, a moeda havia sofrido valorização de 20% em relação à moeda norte-americana. Desde então, os formuladores de políticas da China permitiram que a cotação do yuan ante o dólar oscilasse apenas marginalmente, o que ajudou a revitalizar o setor exportador chinês, duramente atingido pela crise financeira mundial.

 

Por volta das 6h30 (de Brasília), no mercado de balcão de Xangai, o dólar era cotado a 6,8266 yuan, em comparação a 6,8265 yuan no fechamento de sexta-feira. As informações são da Dow Jones.

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