Safra de balanços terá como destaque Vale, bancos e aéreas

O desempenho financeiro das empresas no segundo trimestre do ano, cuja temporada de divulgação de balanços começa hoje com a Aracruz Celulose, será marcado pelo crescimento da economia, pela estabilidade do dólar e pela forte concorrência em alguns setores. Companhias aéreas, de mineração, de petróleo e bancos devem dar seqüência aos bons resultados apresentados em trimestres anteriores. Os segmentos de papel e celulose e siderurgia irão mostrar recuperação, enquanto operadoras de telefonia celular, petroquímicas e fabricantes de alimentos repetirão o desempenho fraco dos três primeiros meses do ano. No varejo, a venda de bens duráveis continua em expansão, enquanto as vendas de alimentos seguem em baixa. A Companhia Vale do Rio Doce deverá ser um dos destaques positivos entre os balanços do segundo trimestre. A empresa conseguiu emplacar um reajuste de 19% nos preços do minério de ferro para os seus clientes, mesmo diante do aumento de 71,5% aplicado em 2005. Desta vez, o reajuste deverá ser melhor percebido nos resultados da companhia, visto que no ano passado o índice foi reduzido parcialmente por causa da valorização do real frente ao dólar e, neste trimestre, o câmbio permaneceu praticamente estável. O analista Pedro Galdi, da ABN Amro Real Corretora, afirmou que os números da Vale serão especialmente fortes por conta da aplicação do índice de 19% retroativo às vendas de minério do primeiro trimestre. Além disso, a expectativa é de que a produção continue crescendo em relação aos períodos anteriores, batendo novo recorde. "A combinação de reajuste de 19% do minério com a aplicação retroativa desse aumento, mais o crescimento dos volumes produzidos permitirão à Vale apresentar um resultado excepcional." Bancos Os bancos continuam vivendo "o melhor dos mundos" na avaliação da analista Catarina Pedrosa, do Banif Investment Banking. O crescimento econômico favorece a expansão do crédito que, por sua vez, vem acompanhada do aumento da inadimplência. Esta, porém, deve ser compensada pelo grande volume de provisões e pelos altos spreads, garantindo boa rentabilidade às instituições, que se beneficiam ainda do nível elevado das taxas de juros no Brasil. A comparação dos números do segundo trimestre com o primeiro deverá mostrar um aumento da demanda por crédito da ordem de 5%, estima a analista. Aviação Na aviação, a crise da Varig e o aumento de cerca de 20% da demanda do mercado doméstico deverão fazer o faturamento de Gol e TAM decolarem, na avaliação de especialistas do setor. Mesmo em plena baixa temporada, as duas companhias ampliaram significativamente a oferta de assentos e conseguiram manter os aviões cheios, com ocupação média acima dos 70%. Além disso, roubaram participação de mercado da Varig, que teve sua crise financeira aprofundada em junho, com diversos cancelamentos de vôos. "As duas companhias colocaram mais aviões para suprir o mercado diante da deterioração da Varig", comentou Pedro Galdi, do ABN. "A TAM se beneficiou por ter uma malha mais ampla, e a Gol, por possuir jatos mais econômicos e uma estrutura de baixo custo." No entanto, Galdi lembra que o "céu" para o setor não chega a ser "de brigadeiro". O aumento de receita veio acompanhado de alta nos custos com o querosene de aviação, devido à disparada do petróleo no mercado internacional, e também de maiores gastos com leasing, por conta da ampliação rápida da frota. Esses gastos foram parcialmente compensados por contratos de hedge de combustíveis e pela estabilidade do dólar no período. Já a fabricante de jatos Embraer sentirá novamente o câmbio apreciado, especialmente na comparação dos números com o segundo trimestre de 2005, mas este será parcialmente compensado pelo mix mais rico de vendas, com a entrada em produção dos jatos 175 e 190, e por um ligeiro aumento no número de entregas. Pedro Galdi estima 31 entregas no segundo trimestre, ante 27 do primeiro. "O dólar ainda é fundamental para a Embraer." Petróleo A alta de quase 12% do petróleo no trimestre e o ligeiro aumento da produção brasileira no período deverão contribuir para um resultado da Petrobras levemente superior em relação ao primeiro trimestre. O analista Gilberto Pereira de Souza, da Itaú Corretora, acrescentou que o segundo trimestre, sazonalmente, costuma apresentar um consumo de combustíveis maior que o primeiro. O analista esclareceu que a alta do petróleo será percebida parcialmente nos números da empresa, visto que a estatal repassa as variações apenas para os preços do querosene de aviação e da nafta. "Os preços da gasolina e do diesel, que representam o grosso das vendas de derivados da Petrobras, permaneceram congelados no trimestre." A comparação do desempenho da Petrobras em relação ao segundo trimestre de 2005 será forte, visto que houve reajuste de cerca de 10% no preços dos dois combustíveis no período, além de pequeno aumento na produção de petróleo. Contudo, Souza destaca que o crescimento do volume extraído será mais expressivo a partir do terceiro trimestre, quando a plataforma P-50 concluirá sua curva de aprendizado.

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