Sagres negocia a compra da cervejaria Cintra

O empresário português José de Souza Cintra, dono da cervejaria Cintra, desistiu da venda da empresa para a Cervejaria Petrópolis. As negociações, que estavam avançadas, foram parar na 34ª Vara Cível do Fórum Central de São Paulo.Uma das razões para a desistência seria uma nova oferta de compra da empresa. A interessada é uma das maiores cervejarias de Portugal, a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, dona da marca Sagres e associada do grupo escocês Scottish and Newcastle. Esse grupo comercializa duas das cervejas mais vendidas na Europa, a Foster's e a Kronenbourg.A dona da Sagres, que tem entre suas garotas-propaganda em Portugal a cantora Ivete Sangalo - garota-propaganda da Schincariol no Brasil- estaria disposta a pagar um preço mais próximo do pretendido por Cintra. Segundo fontes, o valor pedido pela Cintra estaria em torno de R$ 250 milhões. Mas há quem fale que a empresa, com apenas duas fábricas concentradas na região Sudeste, não valeria mais do que R$ 150 milhões, já que a marca nunca atingiu a meta de conquistar 10% do mercado nacional.A Cervejaria Cintra não fala sobre o grupo português. Fontes do mercado, no entanto, afirmam que as negociações fariam sentido tanto para a Cintra como para a Sagres. José de Souza Cintra, um homem que construiu sozinho seu patrimônio, estaria hoje sem condições de expandir os seus negócios no setor cervejeiro tanto no Brasil, onde a Cintra está à venda há algum tempo, quanto em Portugal. Em contrapartida, a Sagres encontra-se em franca expansão. A associação com o grupo escocês deu-lhe fôlego para um rápido crescimento, tornando-se mais um player no xadrez cervejeiro mundial.JustiçaO sonho da Cervejaria Petrópolis de alcançar a sua concorrente mais direta no mercado nacional - a mexicana Femsa, dona da Kaiser e da Sol - desmoronou no fim da semana passada. Por meio da compra da Cintra, a Petrópolis, dona das marcas Crystal e Itaipava, pularia para a 3ª posição no ranking nacional. Hoje, com 7,5% do mercado nacional, ela ocupa a 4ª posição. A Cintra teria pouco mais de 1% do mercado.No fim da semana passada, a Petrópolis entrou na Justiça paulista com um pedido de suspensão de qualquer negociação da Cintra enquanto o compromisso de compra e venda não for rescindido. O processo correm em segredo de Justiça.A carta de intenção acertada no começo de fevereiro entre a Petrópolis e a Cintra previa uma multa caso houvesse desistência de uma das partes.O dono da Cintra, incomodado com a abertura de todo o tipo de informação para os administradores da Petrópolis, sem que o contrato estivesse fechado, preferiu desistir do negócio. E agora estaria se recusando a pagar a multa prevista no acordo.Perante a Justiça, Cintra alega que os prazos não foram cumpridos. No mercado, comenta-se que ele é uma personalidade difícil no processo de negociação.Por sua vez, o empresário Walter Faria, dono da Petrópolis, esteve envolvido na chamada Operação Cevada, por suspeita de participação em esquema de fraude fiscal. Faria chegou a ser detido junto com os diretores da Cervejaria Schincariol. Ele foi envolvido por ser um dos principais distribuidores da Schin no País.A Petrópolis fatura cerca de R$ 800 milhões por ano, mas os analistas calculam que a sua receita seria de R$ 1,3 bilhão. Todas as partes envolvidas na história preferiram não se pronunciar.

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