Santa Elisa se une a estrangeiros para investir R$ 2 bi em etanol

O grupo Santa Elisa, um dos mais tradicionais no setor de açúcar e álcool do País, anunciou uma associação com a trading Global Foods e o fundo de investimento internacional Carlyle Riverstone, que atua na área de projetos de energia renovável.O acordo cria a Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA), que pretende faturar R$ 4 bilhões por ano e alcançar capacidade para processar 40 milhões de toneladas de cana por safra. O plano é criar uma companhia equivalente ao porte atual do Grupo Cosan, hoje o maior processador de cana-de-açúcar do mundo.Para isso, o investimento previsto para erguer a companhia contará com os ativos já em operação da Santa Elisa e da Vale do Rosário. As usinas, que possuem capacidade instalada para moagem de 20 milhões de toneladas de cana, preparam uma fusão e participarão juntas da nova companhia. A Vale do Rosário, que acabou de barrar uma tentativa de aquisição por parte da Cosan, passa agora por um processo de reestruturação societária.O investimento global na CNAA para duplicar a capacidade de processamento de cana será de R$ 2 bilhões. Os integrantes do acordo participam com um aporte de R$ 650 milhões, mas correm para aproveitar a abundância de recursos no mercado internacional para captar mais R$ 1,350 bilhão.A companhia tentará obter a maior parte deste capital com operações de financiamento, no Brasil e no exterior. "Como há capital em abundância no mercado internacional, a idéia é reduzir ao máximo a busca de capital em fundos de private equity (uma modalidade de fundo de investimento)", explica Allan Kahane, sócio-diretor da Global Foods.A boa rentabilidade do negócio e o baixo custo dos financiamentos permitem o alto endividamento. Kahane acredita que a dívida pode ser liquidada em no máximo sete anos.ControleO controle da CNAA será partilhado entre a empresa resultado da fusão Santa Elisa-Vale do Rosário e a Global Foods. Juntas, terão 40% da companhia. O fundo de investimento Carlyle Riverstone terá 60%. Estas participações poderão mudar, já que a Global Foods pretende trazer novos fundos como investidores na companhia.Além das usinas controladas por Santa Elisa e Vale do Rosário, a nova associação pretende construir quatro novas usinas. Três destas já possuem localização definida: Campina Verde e Ituiutaba (em Minas Gerais) e Itumbiara (Goiás). A última deverá ficar na região do Triângulo Mineiro. Os recursos já internalizados pelos fundos de investimento já começaram a ser usados para a formação dos canaviais. A idéia da companhia é deter o controle de 40% da área total de cana, estimada em 120 mil hectares.Segundo André Biagi, presidente do conselho da Santa Elisa, as quatro usinas terão capacidade inicial para moer 2,5 milhões de toneladas, mas deverão atingir 5 milhões de toneladas na segunda fase. Será quando a CNAA, somada aos ativos de Santa Elisa e Vale do Rosário, alcançará 40 milhões de toneladas de capacidade total.Novo negócioHenri Phillip Reichstul, ex-presidente da Petrobrás, também anuncia hoje projetos para a construção de usinas de etanol no País. Ele coordena grupos de investidores interessados no álcool brasileiro.

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