Santander Asset projeta dólar em queda para até R$ 1,80 em 2007

O dólar é tido como investimento seguro em momentos de turbulência. Mas, embora a Bolsa de Valores tenha apresentado alguma volatilidade desde maio, o período não é turbulento para o Brasil, e a cotação do dólar tende a cair ainda mais, já que a entrada de recursos no País mantém-se firme. Como explica o economista-chefe do Santander Banespa Asset Management, Robério Costa, a perspectiva de continuidade de resultados expressivos da balança comercial deve manter o dólar pressionado e levar a moeda norte-americana a um patamar de até R$ 1,80 no ano que vem. Na análise do especialista, que parte dos números sobre o balanço de pagamentos divulgado terça-feira pelo Banco Central, a posição comprada dos bancos indica que há excesso de dólares no mercado, e as intervenções tanto da autoridade monetária como do Tesouro Nacional (via Banco do Brasil) não são suficientes para conter o fluxo de entrada da moeda. Ele afirma que o patamar atual do câmbio, apesar de baixo, ainda é vantajoso para a maior parte das empresas exportadoras. "Somente as empresas menores ou que não se prepararam para atuar com margens menores tiveram problemas", observa. Além disso, a melhora no perfil da dívida externa brasileira, que derrubou o indicador de risco País, corrobora para a entrada de recursos e, conseqüentemente, para a pressão sobre o dólar, segundo Costa. Para o especialista, o pacote de medidas cambiais anunciado pelo governo na semana passada não trará alívio nas cotações. "A política do governo de estimular as vendas externas e, ao mesmo tempo, anunciar medidas para conter a queda do dólar é contraditória", classifica. A solução para conter a valorização, na opinião do economista, passa pela redução das tarifas de importação. "A medida seria boa para conter a inflação, reduziria os custos das empresas, que passariam a comprar mais de fora, e, assim, diminuiria a quantidade de dólares", avalia. Costa, contudo, não acredita que o governo adote algum tipo de norma nesse sentido no curto prazo. Primeiro, por pressões internas, tanto de dentro do governo como de entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo, por questões burocráticas como a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. "De toda forma, se o ajuste não ocorrer via alíquota, será feito via câmbio", calcula, projetando que o dólar a R$ 1,80 trará equilíbrio para a balança comercial, com o aumento das importações e queda das vendas externas.

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