Sascar: de zero a R$ 120 milhões em cinco anos

O paranaense Daniel Russi Filho tinha uma boa idéia na cabeça e pouco dinheiro no bolso. Há cinco anos, ele queria erguer um negócio inovador de rastreamento de veículos via telefone celular, mas precisava levantar R$ 3 milhões. Russi não teve dúvida: foi atrás do Grupo Negresco - que atua em agropecuária, logística e na área financeira e na época estava capitalizado pela venda de um de seus negócios - e encontrou o sócio que precisava.A situação financeira de Russi mudou radicalmente desde então. A Sascar transformou-se numa empresa que deve faturar R$ 120 milhões neste ano e é a maior cliente individual de telefonia celular do País, com 84 mil linhas em uso.A melhor explicação para a arrancada da Sascar é o pioneirismo. Quando ela entrou no mercado, há cinco anos, a empresa estava praticamente sozinha no mercado. "Nós éramos os únicos que fazíamos o serviço por celular. Todas faziam monitoramento por satélite", diz Russi Filho.Hoje, o cenário é diferente. A disputa ficou acirrada, principalmente nos serviços que usam a tecnologia do celular. "Existem centenas de empresas no ramo. E a maioria delas faz monitoramento pelo celular, que é uma tecnologia mais barata que a do satélite", diz Jorge Bau, presidente da Sascar.Como é comum em todo setor emergente, muitas empresas entraram e saíram do mercado. A Sascar se diferenciou porque não assumiu uma postura aventureira. Ela construiu uma estrutura física grande para dar suporte aos caminhões, ônibus e carros de seus clientes. Hoje, a empresa tem 750 pontos de atendimento em 21 Estados. Ela também criou um serviço de monitoramento por satélite para complementar a transmissão de dados onde a rede de celular é deficiente.AmeaçaNeste ano, a Sascar ganhou um concorrente de peso. A Autotrac, do ex-piloto Nelson Piquet, lançou o serviço via celular. Até então, a empresa só fazia monitoramento por satélite.Com a entrada da Autotrac, a vida da Sascar deve ficar mais difícil. O serviço da Autotrac custará R$ 49 por mês. O equipamento será vendido por R$ 3,5 mil. Na Sascar, a mensalidade mais barata é de R$ 98,40. "Entramos nesse segmento porque a oferta da rede de dados da tecnologia celular passou a ser muito maior e o custo baixou muito", diz Rodrigo Costa, diretor de marketing da Autotrac.A Autotrac é a maior empresa do setor. Tem 12 mil clientes (número bem menor que o da Sascar), mas faturou R$ 332 milhões em 2005. Ao contrário da Sascar, a Autotrac não coloca seu equipamento no carro de consumidores comuns. O grosso da receita vem das grandes empresas. "A Sascar consegue vender para veículos de pessoas físicas. Nós não queremos isso ainda", diz Costa. Na Sascar, um em cada quatro clientes é pessoa física.O mercado não está somente mais concorrido, como também mais profissionalizado. O melhor exemplo veio da Autotrac, que no começo de outubro recebeu autorização da CVM para abertura de capital.Esse é um mercado pouco explorado no Brasil. Apenas 9% dos caminhões são monitorados. Entre os carros, o índice é de 1%.

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