Schincariol compra a Baden Baden

O fundador da microcervejaria Baden Baden, José Vasconcelos, o Vasco, sempre relutou em vender seu negócio. Ele achava que já tinha tudo o que precisava. No caso, uma bicicleta e um veleiro. Nos últimos meses, no entanto, episódios recorrentes de pressão alta fizeram Vasco mudar de idéia e atender Ademir Gouveia, um negociador que representa a Lehman Brothers no Brasil.Ontem, cerca de 30 dias depois dessa primeira conversa, o empresário vendia a marca e a fábrica Baden Baden para a Schincariol, o segundo maior grupo cervejeiro do País. ?Nós já havíamos sido procurados por outros investidores, mas eu nunca cogitei vender. O problema é que meus outros três sócios saíram do negócio em 2006 e a cervejaria precisava de capital intensivo para continuar crescendo?, conta Vasco, que começou a fabricar cerveja há sete anos em Campos do Jordão, interior de São Paulo.O valor da operação não foi divulgado, mas a Baden é um negócio pequeno, com produção quase artesanal. A empresa faturou R$ 5,5 milhões em 2006, segundo Vasco.Na realidade, com a aquisição, a Schincariol está comprando um passaporte para entrar no promissor mercado de cervejas premium no Brasil, que custam pelo menos 15% a mais que a média das cervejas. Mais: a compra acontece num momento em que surgem rumores de que a Schincariol estaria sendo vendida. No mercado, há quem acredite que a companhia possa estar engordando seu portfólio para depois passar o negócio adiante.Esse mercado movimenta R$ 1,4 bilhão por ano e representa 7,6% das vendas (em faturamento) de cerveja no Brasil. Essa é a categoria que mais cresce hoje - de 2001 para cá, a participação nas vendas totais da bebida mais que dobrou, segundo fabricantes. ?O grupo vinha aumentando o valor agregado de suas cervejas desde o lançamento da Nova Schin. Agora, com a Baden, o patamar subiu bastante?, diz Adriano Schincariol, presidente da companhia. ?A concorrência não tem cervejas do nível da Baden.? O preço da cerveja no mercado varia entre R$ 8 e R$ 16.Primeira aquisiçãoEssa é a primeira aquisição na história da Schincariol. E, segundo Adriano, será a primeira de uma série. ?Estamos preparados para fazer mais. Com a ajuda da McKinsey, que está aqui desde janeiro de 2005, estamos formando uma equipe para trabalhar nisso?, afirma Adriano. ?O grupo tem boa saúde financeira.?A Schincariol vem perdendo participação nas vendas de cerveja desde o ano passado. Há um ano, ela tinha 12,7% do mercado. Em dezembro, esse porcentual havia caído para 11%, segundo dados da ACNielsen. Para Adriano, apesar da queda na participação, a empresa teve um bom ano.A Schincariol deve fechar 2006 com faturamento de R$ 3,7 bilhões, 18% mais que no ano anterior. ?O mercado ficou mais agressivo depois que Femsa comprou a Kaiser, mas nós não estamos olhando apenas o market share coletado pela Nielsen?, diz Adriano. ?A gente não está só preocupado com o mercado de cervejas. Nós somos uma empresa de bebidas.?O grupo tem demonstrado ao mercado ter poder de fogo para brigar com a AmBev e a Femsa. Recentemente, anunciou investimentos de R$ 135 milhões na construção de uma nova fábrica de cervejas na cidade de Horizonte, no Ceará, prevista para ser inaugurada este ano. A empresa também planeja construir uma pequena fábrica para produção de Baden Baden em Campos de Jordão. ?Eles podem aumentar em até dez vezes a produção sem comprometer a qualidade da cerveja?, diz Vasco. ?Se vão fazer mais que isso, só o tempo dirá.?JustiçaBrigar com a concorrência pelo mercado de bebidas é apenas um dos desafios da companhia. A empresa tem um imbróglio mais grave para enfrentar. No começo de 2006, o Ministério Público Federal denunciou à Justiça 78 pessoas da empresa por formação de quadrilha, corrupção e falsificação de documentos.Eles foram acusados de lesar o Fisco em cerca de R$ 1 bilhão entre 2001 e 2006 e de crimes como evasão de divisas e formação de quadrilha. Segundo a empresa, não há nenhuma comprovação de pendências legais. ?A Schincariol cumpre todas as normas legais e tributárias exigidas no Brasil?, diz um comunicado oficial da companhia.

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