Se mundo não combate inflação, situação complica para BC

André Lóes, da FRAM Capital, disse que os BCs dos EUA, Europa e Inglaterra enfrentam dificuldades em subir juro diante da fraqueza de suas economias

Luciana Xavier e Lucinda Pinto,

18 de julho de 2008 | 15h00

O quadro de inflação é global, mas nem todos os países com esse problema podem ou querem combatê-lo, observou há pouco o economista e sócio-diretor da gestora de recursos FRAM Capital, André Lóes.Ouça a entrevista   "Se o mundo inteiro tem mais dificuldade em combater a inflação, isso exporta inflação para o Brasil. A situação fica mais complicada para o Banco Central brasileiro", avaliou. Segundo ele, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco Central da Inglaterra (BoE) estão com pouca margem para lutar contra a inflação com alta de juros, pois há pouca liquidez nesses mercados e a economia está fraca. "A estagnação começa a ficar clara para o Fed e BCE", disse, acrescentando depois que o BoE também está na lista. "Já na Ásia, há menos vontade política de combater a inflação", ressaltou. Segundo ele, há expectativa de desaceleração dos preços de alimentos em 2009, mas também muita incerteza sobre se esse cenário irá se confirmar. "A certeza aumenta com relação ao petróleo. Ele não deve ficar abaixo de US$ 120, US$ 115 o barril porque a capacidade ociosa está muito baixa. Há limitação de queda", disse. Lóes acredita que a inflação deste ano ficará em 6,5%. "Mas tem chance de ultrapassar", disse. A projeção não considera nenhum reajuste de combustíveis no segundo semestre. "É uma decisão tática. Acho que a Petrobras poderia esperar. O petróleo está caindo e não há indicação de que o câmbio vá depreciar. Se fosse o governo, eu guardaria (o reajuste) para mais tarde", disse. Para 2009, Lóes trabalha com IPCA em 5%. "A taxa em 5% me parece razoável. Mas se vir uma deflação de alimentos pode ir para 4,5%", disse. O economista, no entanto, tem ainda mais dois cenários alternativos para caso haja reajuste de combustíveis. Com reajuste de 5%, os administrados iriam para 5,35% e, se a alta da gasolina e do diesel for de 10%, a inflação de administrados ficaria em 6,80%. Segundo o economista, a pressão daqui para frente continua sendo de alguns itens de alimentos, carnes e milho, além de administrados e serviços. Ele prevê alta de 9% em serviços em 2009.

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