Se o IPCA cai, porque a aposta para a Selic não cai?

As menores expectativas para a inflação apontadas no mais recente relatório Focus dividiu o mercado financeiro sobre a tendência para a taxa Selic a partir de agosto - corte de 0,25 ponto ou de 0,5 ponto porcentual. Isso embora haja consenso de redução de 0,5 ponto nas apostas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês. A dúvida que fica no ar é: se as previsões para a inflação caíram por seis semanas seguidas, porque a perspectiva para a taxa Selic só sofreu duas revisões baixistas? Segundo analistas, isso ocorre porque alterações na política monetária demoram entre seis e nove meses para surtir efeito sobre a demanda. Como o IPCA de 2006 já está dado e como as projeções para a inflação nos próximos 12 meses estão em revisão, a tendência de curto prazo para a inflação não é, obrigatoriamente, a tendência para a taxa Selic no curto prazo. Para prazos mais longos, as expectativas de inflação estão mais próximas da meta do governo. Para o IPCA em 2007, a mediana continua em 4,5% e, para os próximos 12 meses, as projeções subiram de 4,34% para 4,41%. A alta em 12 meses nas últimas semanas, que chegou a 4,2% em meados de junho, deve-se ao fato de o mercado não esperar a continuidade de resultados tão baixos quanto o de junho nos próximos meses. A mais recente pesquisa Focus mostrou mediana das expectativas de que o juro fique em 14,25% ao ano no final deste ano, ante 14,38% da previsão anterior. Para o fim de 2007, as projeções de juros apontadas na pesquisa Focus continuaram estáveis em 13% ao ano pela 16º semana seguida.

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