Thomas Peter/Reuters
Thomas Peter/Reuters

Na ‘segunda-feira negra’, bolsas europeias têm pior resultado desde 2008

Com o temor sobre a desaceleração da economia chinesa, mercado europeu tem pior resultado desde a quebra do Lehman Brothers

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2015 | 09h39

Atualizado às 14h45

GENEBRA - A turbulência na China afeta os mercados europeus e os valores de mercado das empresas nas bolsas do Velho Continente perderam nesta segunda-feira, 24, entre 450 bilhões e 500 bilhões de euros (R$ 1,8 trilhão a R$ 2 trilhões), o pior resultado desde novembro de 2008. Há sete anos, a quebra do Lehman Brothers, ocorrida em setembro, chegava com força ao mercado europeu e iniciaria o período de maior crise na economia da União Europeia desde a Segunda Guerra Mundial. 

O pânico nos mercados ocorre depois que a bolsa chinesa registrou o que já está sendo chamado de "segunda-feira negra", com o pior resultado desde 2007, uma queda de 8,5%.

Desta vez, as bolsas de Paris e Frankfurt registraram até meados do dia perdas de 7% e 6%, respectivamente. Enquanto o índice FTSE 100, com as maiores multinacionais do Reino Unido, atingiu uma queda superior a 5,5%. 

Parte das perdas foi revertida até o fechamento das bolsas. Mas, ainda assim, o dia foi considerado como o pior desde a crise de 2008. 

Londres fechou em baixa de 4,6%, perdendo 73 bilhões de libras esterlinas. As ações da Glencore perderam 13%, contra uma queda de 9% no caso da Anglo American e BHP Billiton. O resultado negativo sobre o setor minério foi um reflexo do sentimento do mercado de que, em crise, a China poderia reduzir suas importações de matérias-primas.

Na Grécia, a Bolsa caiu em 10,5%. "Isso é muito sério", alertou o Deutsche Bank, em um comunicado a analistas. Na Espanha, a bolsa perdeu 5%, contra uma queda de 4,7% na Alemanha e 5,3% na França. 

As estimativas apontaram que entre 450 bilhões e 500 bilhões de euros foram perdidos entre as empresas listadas na FTSeurofirst 300. Desde a desvalorização da moeda chinesa, as estimativas apontam que mais de US$ 5 trilhões desapareceram das bolsas. Desde o início do mês, os europeus já perderam 1 trilhão de euros em valor.

Entre as empresas listadas pela Stoxx 600, a queda chegou a atingir 8%, a maior desde 1987. Ela acabou fechando em queda de 5,4%.

Outro sinal que deixou o mercado alarmado foi o salto registrado no Indice VIX, que mede a volatilidade do sistema financeiro. Conhecido como Indice do Medo, ele registrou um aumento de 67% em apenas um dia, algo comparável apenas aos momentos registrados depois da quebra do Lehman Brothers, em 2008. O índice acabou recuando, mas ainda assim fechou 37% abaixo dos níveis de 2011, quando os EUA perderam seu status de AAA pelas agências de rating.

Pelo mundo, analistas e políticos alertaram sobre o momento de risco. Para o ex-secretário do Tesouro americano, o cenário era parecido ao de 2008. " Vimos isso antes ", escreveu em seua rede social. " Podemos estar no começo de uma situação muito perigosa". 

George Osborne, o ministro de Finanças do Reino Unido, alertou que a situação chinesa era de fato "uma preocupação real". Mas assim como políticos apontaram em 2008 na eclosão da crise financeira, Osborne insiste que a turbulência não causaria problemas para a Europa. "Estou confiante de que, apesar de não achar que podemos passar sem ser afetados pela China, não acredito que isso vá gerar problemas profundos e imediatos na Europa", disse.

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