Seis brasileiras já fazem parte do índice de sustentabilidade em NY

Está crescendo o número de empresas brasileiras que fazem parte do Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI, na sigla em inglês), que reúne ações de empresas negociadas na Bolsa de Nova York com bom desempenho econômico, social e ambiental. Mais três empresas brasileiras - Petrobras, Bradesco e a Itaúsa (controladora do Itaú)- passam a compor o índice, ao lado do Itaú, Cemig e Aracruz Celulose. Criado em 1999, o índice passa por revisões anuais e anunciou na última semana as empresas listadas - 318, de 58 diferentes setores, no mundo todo. Na prática, estar no índice de sustentabilidade da Bolsa de Nova York significa ganhar visibilidade internacional, o que facilita obter financiamentos ou vender ações no mercado internacional. "Representa a valorização da marca e a chance de atrair investidores estrangeiros, que são mais atentos a riscos sociais e ambientais", diz Roberto Gonzalez, assessor de Sustentabilidade da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). Segundo Gonzalez, a inclusão no índice pode representar ainda maior valorização das ações negociadas em bolsas de valores, embora isso seja difícil de ser medido a curto prazo. Ao mesmo tempo, cresce no mundo a oferta de fundos 'socialmente responsáveis', que reúnem ações de empresas com bom desempenho nessa área: estima-se que já existam 900, que administram recursos da ordem de US$ 5 bilhões. Rigor Para fazer parte do DJSI, a empresa tem que ter ações listadas na Bolsa de Valores de Nova York e responder a um minucioso questionário com 109 itens, que avaliam desde performance financeira até respeito a leis trabalhistas e ambientais. Depois, as empresas passam por auditorias realizadas que comprovam se as informações prestadas são verdadeiras. Para Antonio Matias, vice-presidente do Itaú, o processo é rigoroso. "Não basta só dizer que a empresa tem uma postura de responsabilidade social, pois tudo é checado. O grau de exigência muda de ano a ano, por isso muitas empresas saem do índice e depois retornam', diz. 'O respaldo do DJSI é um atrativo para investidores do mundo inteiro", diz Matias. Para Milton Vargas, vice-presidente do Bradesco, ingressar no DJSI foi conseqüência de avanços na gestão da instituição e também do trabalho social realizado pela Fundação Bradesco, criada há 50 anos pelo fundador da instituição, Amador Aguiar e responsável pela manutenção de 40 escolas em todo o País. "Hoje sabemos que o investidor já prefere empresas com uma preocupação social", diz Vargas. A maior presença de empresas brasileiras no DJSI mostra maturidade. "Essas empresas agora podem ser consideradas líderes globais em seus setores de atuação", diz Gonzalez, da Apimec. É o caso da Aracruz, única empresa do setor de celulose e papel a fazer parte do DJSI, mesmo às voltas com invasão dos sem-terra e criticada pelo plantio em larga escala do eucalipto. "Nossos clientes internacionais questionam a procedência da celulose que estão comprando. Estar no índice dá a eles maior tranqüilidade", diz Isac Zagury, diretor financeiro da Aracruz.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.