Amanda Perobelli/ Reuters
Com Selic acima de dois dígitos, investimentos na renda fixa são os mais atraentes e seguros Amanda Perobelli/ Reuters

Veja como ficam os investimentos com a Selic a 13,25%

Momento requer muito mais análises do que de tomada de decisões nos investimentos; no radar, está a inflação global persistente

Érika Motoda, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2022 | 18h38

O cenário externo tem imposto cautela ao mercado financeiro. Por isso, o momento requer muito mais análises do que tomada de decisões de investimentos. No radar, está a inflação global persistente, que obriga os bancos centrais a elevarem suas taxas de juros. Como não poderia deixar de ser, em momentos de instabilidade, a renda fixa é o porto seguro dos investidores - especialmente em produtos pós-fixados atrelados à Selic ou ao CDI, porque acompanham o aumento da taxa básica de juros e ainda garantem liquidez. 

Nesta quarta-feira, 15, o Federal Reserve elevou os juros nos Estados Unidos para a faixa entre 1,5% e 1,75% ao ano. Os títulos públicos americanos são considerados os mais seguros, porque a probabilidade de a maior economia mundial dar um calote nos seus credores é considerada baixíssima. Quando há o aumento dos juros americanos, é comum ver o dinheiro migrar para lá. Mas analistas afirmam que há boas oportunidades no Brasil, que também subiu a taxa básica de 12,75% para 13,25% nesta quarta. 

“Por mais que os Estados Unidos sejam mais seguros, não vejo o Brasil entrando em trajetória de calote da dívida. Assim, a renda fixa brasileira fica mais interessante, por conta das taxas que pagará adiante. O governo já paga 1% ao mês e vai pagar ainda mais a partir desta quarta”, disse Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, também lembra que a expectativa de juros reais dos títulos públicos americanos para os próximos meses é negativa em 3,06%. 

“Isso (a alta dos juros nos EUA) tem um efeito perverso na renda variável. Quanto mais alta a remuneração na renda fixa, menos atrativos ficam os ativos de risco. Mas vai chegar o momento em que o ciclo de subida dos juros vai parar, chegar ao equilíbrio e, então, abrem-se janelas para os ativos de risco”, disse Igor Cavaca, head de Gestão de Investimentos na Warren Asset. 

Na última sexta, 6, a Bolsa fechou acima dos 105 mil pontos. A partir desta semana, passou a cair com o nervosismo dos mercados diante do aumento da taxa de juros americana. Nesta quarta, fechou em alta de 0,73%, na casa dos 102 mil pontos.

“A Bolsa é pautada em grande maioria por fluxo: compradores e vendedores. A gente tem três grandes players na Bolsa brasileira: pessoa física, institucional, estrangeiro. No primeiro trimestre, contamos praticamente 100% com o fluxo estrangeiro para a Bolsa se manter nos 120 mil pontos. Quando esse fluxo saiu, a partir de abril, ficamos meio órfãos dos outros dois players, que estavam mais alocados em renda fixa”, analisou Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de ações e derivativos do BTG Pactual. 

As melhores oportunidades na renda variável estão nas empresas exportadoras de commodities e no setor bancário, segundo ele. As varejistas e de consumo cíclico, ou seja, que dependem do aquecimento da economia de modo geral, podem sair prejudicadas no atual cenário. 

No acumulado de 12 meses até o fim de maio, nenhum dos principais investimentos tiveram um retorno acima da inflação, segundo o levantamento da Economatica, uma plataforma de informações financeiras. Foram considerados fundos multimercado (-3,21%), CDI (-3,40%), poupança (-5,71%), títulos públicos indexados ao IPCA (-6,39%), fundos imobiliários (-10,37%), dólar (-19,11%), Ibovespa (-21,04%), BDR (certificados que representam ações estrangeiras, mas negociados na Bolsa: -22,17%), euro (-29,02%) e Bitcoin (-29,77%). 

No acumulado do ano até maio, somente fundos imobiliários (+ 3,79%) e Ibovespa (+ 1,38%) tiveram desempenho real positivo. 

Inflação

Se nada mais der errado, é possível que a pior fase da inflação já tenha passado no País. Mas especialistas não são unânimes em afirmar que a partir de agora a tendência é de baixa. Isso porque a inflação global depende dos desdobramentos da guerra na Ucrânia e da capacidade da China de vencer a covid-19. Na terça, por exemplo, o mercado projetava o barril de petróleo a US$ 130. Esse movimento de alta pode pressionar ainda mais os preços no mercado brasileiro.

“As commodities vão continuar fortes, mas em menor intensidade. O petróleo tem tudo para se manter firme nesses US$ 120, mas não quer dizer que ele vá para US$ 180 no final do ano. Com o salto que a gente viu recentemente de quase 50% de alta no petróleo, não imaginamos uma alta da mesma magnitude até o final do ano. Ele vai continuar elevado, o que, sem dúvida, gera inflação na gasolina e na matriz energética”, disse Zanlorenzi, do BTG. 

“Por outro lado, o minério de ferro está mais comportado, o que prejudica um pouco o Brasil. Se estivesse em patamares elevados como em 2020, poderia favorecer as mineradoras. Mas como o petróleo tem uma relação gigantesca com a Rússia, e o minério é em relação à China, e a percepção da China é de cautela, acaba equilibrando essa pressão inflacionária entre o petróleo e o minério.” 

Há ainda a proposta de Jair Bolsonaro de zerar impostos federais sobre gasolina e etanol pode reduzir a inflação de 2022, lembrou o superintendente da Assessoria Econômica da Associação Brasileira de Bancos, Everton Pinheiro de Souza Gonçalves. Mas o IPCA do ano que vem pode ser pressionado pelo fim do corte de impostos, que teria duração até 31 de dezembro. 

Considerando uma inflação de 8,89%, como consta do último Boletim Focus parcial divulgado pelo Banco Central, alguns produtos financeiros como Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Certificado de Depósito Bancário (CDB), título público e alguns fundos podem trazer uma rentabilidade real positiva, ainda que o valor seja baixo, segundo os cálculos do professor de Finanças da FGV-SP Fabio Gallo. 

Veja como se comportam os investimentos no atual cenário

Igor Cavaca, da Warren, lembra que quem quer segurança e liquidez deve optar por pós-fixados atrelados à Selic ou ao CDI. Já quem tem a possibilidade de ficar preso no mesmo investimento por mais tempo pode optar pelos títulos atrelados à inflação, que premiam mais aqueles que carregam os papéis até o fim do prazo. Os prefixados podem performar bem se houver queda dos juros, mas ainda não se sabe quando o BC vai reduzir a Selic. 

  • Poupança. A rentabilidade da poupança tem um teto. Segundo a regra do BC, quando a Selic está abaixo de 8,5% ao ano o rendimento da poupança é de 70% da Selic mais a taxa referencial (TR), que está zerada. Quando a taxa básica de juros é superior a 8,5% ao ano, o rendimento da poupança passa a ser de 0,5% ao mês mais a TR. Ou seja, mesmo com o atual aumento da Selic, a poupança já atingiu o seu teto e não vai render muito mais do que antes. 
  • CDB. É possível encontrar CDBs indexados a taxas flutuantes, como o CDI, que segue o movimento da Selic. É um momento interessante para o investidor pessoa física, já que possui seguro FGC. A remuneração encontrada atualmente é menor que em anos anteriores, por causa do aumento da CDI, mas ainda é possível encontrar remunerações acima de 100%, além da liquidez diária. 
  • Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA). Esses ativos têm risco de crédito adicional, porque são atrelados ao tipo de ativo em que eles investem e do emissor. O único lastro são os bens, não têm um banco por trás. Pagam um pouco mais que CDB e possuem isenção de IR para investidor de varejo.
  • Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (Fidc). É um fundo bastante parecido com a dinâmica dos CRIs e CRAs. Oferecem mais risco ao investidor, mas também por isso pagam remunerações mais elevadas. Esses fundos trabalham com emissores menores, mais suscetíveis a choques, e isso pode dar default (calote). Não é garantido pelo FGC.
  • LCI e LCA. Entram no mesmo caso do CDB, mas têm isenção de Imposto de Renda para pessoa física e, por isso, pagam uma taxa menor do CDI. Têm cobertura FGC e são emitidos por bancos para financiar obras no setor imobiliário e de agronegócio. 
  • Fundos DI. Composto por títulos públicos indexados pelo CDI e possuem baixo risco, pois investem em títulos do governo. 
  • Fundos imobiliários. Os fundos de tijolo (que investem em imóveis) acabaram caindo e não se recuperando na mesma velocidade. São mais cíclicos (quando a economia vai bem, eles vão bem) porque eles são afetados pela taxa de vacância, não pagamento de aluguéis e afins. Já os fundos de papel compram CRIs e estão mais pulverizados, porque cada fundo vai se diversificar em um monte de CRIs, mas ainda segue com risco de emissor. Eles são corrigidos por indicadores, em geral IPCA ou IGP-M + taxa de juros. Se você tiver inflação alta e IGP-M altos, em geral, você consegue corrigir o seu recurso e ter um retorno real em uma taxa um pouco mais alta. 
  • Fundos multimercado. Esses fundos performaram muito bem no início deste ano por causa da expectativa da política monetária. São os mais arriscados, mas também podem trazer mais retornos. O investidor precisa ter perfil moderado ou arrojado para acessar esses ativos. 

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Fed eleva taxa de juros dos EUA em 0,75 ponto, maior aumento desde 94

Banco central dos Estados Unidos decidiu aumentar a taxa de juros para o maior patamar desde o início da pandemia para conter a inflação

Gabriel Caldeira, André Marinho, Letícia Simionato, Mateus Fagundes e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2022 | 15h01
Atualizado 15 de junho de 2022 | 18h43

Pressionado por causa da inflação acelerada nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decidiu elevar a taxa básica de juros do país em 0,75 ponto porcentual nesta quarta-feira, 15, em sua reunião de política monetária. 

Com o aumento, a taxa básica de juros americana subiu para a faixa entre 1,5% e 1,75% ao ano, a mais elevada desde março de 2020, no início da pandemia, quando estava entre 1% e 1,25%. 

Foi o terceiro aumento consecutivo da taxa de juros nos Estados Unidos e a maior em quase três décadas. A última vez em que o Fed elevou os juros básicos dos Estados Unidos, os chamados Fed Funds, em 0,75 ponto foi em 1994, quando a autoridade monetária tentava impedir um repique nos índices inflacionários do país.

O Fed sinalizava que faria um aperto monetário gradual com aumentos de 0,5 ponto porcentual a cada reunião para controlar a inflação galopante que vem afetando a economia americana. Mas persistência da alta dos preços fez com que o banco central americano tomasse uma medida mais dura na reunião desta quarta. 

Até a semana passada, um aumento dessa magnitude era visto como pouco provável pelo mercado. Porém, a divulgação de novos dados sobre a inflação nos Estados Unidos na sexta-feira passada mudaram essa visão. Em maio, o índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos (CPI, na sigla em inglês) chegou a 8,6% em 12 meses, o maior nível em 40 anos. Apenas no mês de maio, a alta foi de 1% sobre abril.  Agora, o cenário exige um aperto maior, colocando o BC americano em uma sinuca de bico: ou controla a inflação ou leva a maior economia do mundo para um pouso suave da atividade econômica.

Em entrevista coletiva, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reconheceu que o consenso apontava para uma alta de 0,5 ponto porcentual nos juros no encontro desta quarta-feira, mas a leitura de inflação ao consumidor forçou a autoridade monetária a decidir por um ajuste mais agressivo. Powell reforçou a necessidade de novos aumentos nos juros para trazer a inflação para a meta de 2% e afirmou que o ritmo de aumentos continuará a depender dos indicadores econômicos e da evolução das perspectivas para a economia dos Estados Unidos. Ele classificou a alta de 0,75 ponto como "incomumente alta" e que não espera que essa intensidade "se torne comum". 

"Claramente, o aumento de 75 pontos-base (0,75 ponto percentual) é incomumente alto e não espero que movimentos desse tamanho sejam comuns na perspectiva de hoje", afirmou Powell. "Um aumento de 50 pontos base (0,5 ponto pocentual) ou 75 pontos-base parece mais provável em nossa próxima reunião", acrescentou, explicando que há um consenso de que um aumento de 0,5 ponto deve ser considerado nas próximas reuniões.  A decisão de hoje de elevar a taxa em 0,75 ponto não foi unânime entre os diretores do Fed. A presidente da distrital de Kansas City, Esther George, votou por um aumento de 0,5 ponto.

O comentário do presidente do Fed sobre a possibilidade de elevar os juros em ritmo mais brando na reunião de julho deu força às bolsas de Nova York e agradou ao mercado, que temia a sinalização de um aperto ainda maior nos juros à frente. O índice Dow Jones fechou com ganhos de 1%, o S&P 500 teve alta de 1,46% e o Nasdaq subiu 2,50%. No Brasil, o Ibovespa fechou em alta de 0,73%, a 102.806,82 pontos, depois de oito pregões seguidos de perdas.

Desafio de controlar a inflação

De acordo com Powell, os caminhos para trazer a inflação para o patamar dos 2% se tornaram "muito mais desafiadores" devido a fatores que não estão sob o controle do Fed, referindo-se aos impactos da guerra na Ucrânia. Powell disse ainda que flutuações nos preços de commodities poderiam impedir o pouso suave na economia dos EUA.

O presidente do Fed afirmou que a política monetária dos EUA terá de ficar restritiva em meio ao cenário de elevada inflação -- o que indica que a taxa de juros deve subir para um nível que desacelera a economia --, mas que o Fed não está tentando provocar uma recessão na maior economia do mundo. Powell disse, porém, que há incertezas sobre quão restritiva a taxa de juros deve ser. Ele estima que a taxa neutra - aquela que nem estimula nem pressiona a economia - esteja em algum ponto entre 2% e 3%.

Dentre os 18 diretores do Federal Reserve (Fed) que participaram da reunião de política monetária, 13 acreditam que a taxa básica de juros nos EUA estará entre 3% e 3,5% até o fim de 2022, com oito dirigentes prevendo juro na faixa entre 3,25% e 3,5%, enquanto outros cinco projetam que a taxa dos Fed funds estará no patamar de 3% e 3,25%. Na reunião de março, a última em que o Fed atualizou suas projeções, apenas um dirigente esperava juro de 3% ou mais, e a maioria previa algo em torno de 2% a 2,75% como apropriado. 

Para 2023, sete dirigentes esperam que os juros estejam entre 3,5% e 3,75%, quatro preveem taxa básica de 3,75% a 4% e outros quatro enxergam o patamar de 4% a 4,25% como adequado. Apenas um dirigente prevê juro entre 2,75% e 3%, mais um espera algo na faixa de 3,255 e 3,50%, e outro membro do Fomc vê juro de 4,25% a 4,5% até o fim do ano que vem.

O comunicado do Fed divulgado nesta quarta aponta que novos aumentos na taxas de juros serão apropriados. "A inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, preços mais altos de energia e pressões mais amplas sobre os preços", diz o comunicado. "A invasão da Ucrânia pela Rússia e os eventos relacionados estão criando uma pressão ascendente adicional sobre a inflação e estão pesando sobre a atividade econômica global. O Comitê está altamente atento aos riscos inflacionários", completou.

Diante desse cenário, o Fed assegura que continuará monitorando as implicações das informações recebidas para as perspectivas econômicas. "O Comitê estaria preparado para ajustar a orientação da política monetária conforme apropriado caso surjam riscos que possam impedir a consecução dos objetivos do Comitê", destacou.

Os dirigentes do Federal Reserve ainda alteraram as projeções para o crescimento dos Estados Unidos nos próximos anos, na comparação com as estimativas divulgadas em março. Para 2022, a mediana das estimativas de crescimento da economia americana caiu de 2,8% em março para 1,7% agora. Para 2023, a projeção foi de 2,2% a 1,7%. E para 2024, de 2,0% a 1,9%.

As medianas das projeções para a taxa de desemprego dos Estados Unidos subiram na comparação com a previsão de março. Para 2022, a projeção da taxa de desemprego foi de 3,5% para 3,7%. Para 2023, saiu de 3,5% para 3,9%.

Efeitos para o Brasil

Segundo o analista principal da agência de classificação de risco S&P, Manuel Orozco, o maior aperto monetário nos Estados Unidos pode ter efeitos negativos para os países emergentes como o Brasil e atrapalhar o potencial de crescimento brasileiro à frente. "O Fed  está começando um ciclo ainda mais restritivo. Isto resulta em cenário também um pouco mais restritivo, sobretudo em termos de liquidez, que terminará  atrapalhando um potencial de crescimento (do Brasil) para frente", afirmou ele em entrevista ao Estadão/Broadcast.  

Por outro lado, Orozco ressalta que, como boa parte da inflação vista hoje no Brasil é importada, se os Estados Unidos e a zona do euro conseguirem controlar seus níveis de preços, isso pode ser positivo para o controle da inflação aqui. "Tem uma conjuntura de bastante pressão e volatilidade, então (o controle da inflação externa) deveria contribuir para um cenário mais estável em termos de inflação global."

Orozco destacou o efeito positivo da política monetária brasileira no controle dos preços. Segundo ele, a  S&P trabalha com uma inflação ainda alta esse ano, mas em desaceleração. A previsão é de que 2022 termine com IPCA em 8%. Para 2023, o cenário é de 4,1%. "Estamos vendo um mecanismo de política monetária bem forte no Brasil e estamos vendo queda. A inflação vai se manter alta, mas dá para falar em queda nos níveis de inflação em 2023", afirmou.

Outras medidas

Além do aumento da taxa básica de juros, o Fed também decidiu elevar a taxa de juros paga sobre saldo de reserva para 1,65%, decisão que entra em vigor a partir de amanhã, e a taxa de desconto e 0,75 ponto, de 1% para 1,75%. 

O Federal Reserve ainda reafirmou o plano de diminuir o balanço de ativos da entidade conforme os termos definidos na reunião de maio. No comunicado, o Fed explicou que reduzirá suas participações nos títulos do Tesouro americano (as treasuries) e em títulos lastreados em hipoteca (MBS, na sigla em inglês).    

Segundo o plano, iniciado em 1° de junho, o Fed reduz as compras de MBS em US$ 17,5 bilhões ao mês e as de treasuries em US$ 30 bilhões, em um total de US$ 47,5 bilhões, durante os três primeiros meses. Depois disso, a redução será de US$ 60 bilhões por mês para Treasuries e US$ 35 bilhões para MBS, em um total de US$ 95 bilhões.  / COLABOROU BÁRBARA NASCIMENTO

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Copom eleva juro básico pela 11ª vez, a 13,25%, maior patamar em 5 anos e meio

Desde o primeiro aumento, em março de 2021, quando a Selic estava na mínima de 2%, a taxa já subiu 11,25 pontos porcentuais, o maior choque de juros desde 1999

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2022 | 18h37
Atualizado 15 de junho de 2022 | 18h51

BRASÍLIA - Apesar da inflação persistente, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cumpriu o prometido e puxou o freio no ritmo de alta da Selic (a taxa básica de juros). A taxa subiu 0,50 ponto porcentual, de 12,75% para 13,25% ao ano.

Com a elevação a 13,25%, a Selic alcançou o maior patamar em cinco anos e meio, desde janeiro de 2017 (13,75%). Foi a 11ª primeira alta consecutiva neste ciclo de aperto monetário, que já é o mais longo da história do Copom. Desde o primeiro aumento, em março de 2021, quando a Selic estava na mínima de 2%, a taxa já subiu 11,25 pontos porcentuais, o maior choque de juros desde 1999.

A decisão foi tomada horas depois de o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, também preocupado com as pressões sobre os preços, elevar a taxa básica de juros para o intervalo entre 1,5% e 1,75% ao ano, a mais elevada desde março de 2020, no início da pandemia, quando estava entre 1% e 1,25%.

Na economia americana ou aqui, um aumento dos juros encare o crédito e o custo da dívida pública. Com um financiamento mais caro, empresas podem também passar a investir menos, impactando negativamente o Produto Interno Bruto (PIB), o emprego e a renda.

 

Além disso, juros mais altos nos EUA elevam a atratividade de se investir na segura renda fixa norte-americana, o que tende a aumentar o ingresso de recursos na maior economia do mundo e, consequentemente, valorizar o dólar frente a outras moedas.

No comunicado, o colegiado (formado pelo presidente e diretores do BC) afirmou que deve subir novamente a Selic na próxima reunião, no início de agosto, em 0,5 ponto porcentual ou 0,25 ponto porcentual. "O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista. O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas", diz o texto.

A decisão de hoje era plenamente esperada pelo mercado financeiro, já que o BC sinalizou, após subir a Selic em 1 pp no Copom de maio, que avaliava “como provável uma extensão do ciclo com um ajuste de menor magnitude” para a reunião deste mês.

De 50 instituições financeiras consultadas pelo Projeções Broadcast, 46 esperavam alta de 0,50pp dos juros básicos, para 13,25%. Três casas estimavam aumento de 0,75pp, a 13,50%, enquanto uma projetava a manutenção do ritmo de aperto monetário de maio, de 1,00 pp, para 13,75%.

Em fevereiro, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, avaliou que a inflação brasileira deveria atingir seu pico entre abril e maio, começando a desacelerar nos meses seguintes.

A inflação oficial do País, o IPCA, ficou em 0,47% em maio, com desaceleração na comparação com o mês anterior. Mesmo assim, acumulou um aumento de 11,73% em doze meses.

Em 2022, a meta central de inflação é de 3,5% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%. O mercado financeiro e o BC, porém, já preveem a inflação de quase 8,89% em todo este ano. Se confirmado, será o segundo ano seguido de estouro da meta de inflação.

O BC já está calibrando a taxa Selic para atingir a meta de inflação do ano que vem, uma vez que as decisões sobre juros demoram de seis a um ano e meio para terem impacto pleno na economia. Para 2023, a meta de inflação foi fixada 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Juro real

Com o novo aumento da Selic, o Brasil continua a ter a maior taxa de juro real (descontada a inflação) do mundo, em uma lista com 40 economias. Cálculos do site MoneYou e da Infinity Asset Management indicam que o juro real brasileiro está agora em 8,10% ao ano.

Em segundo lugar na lista que considera economias mais relevantes, aparece o México (4,48%), seguido da Colômbia (4,47%). A média dos 40 países avaliados é de -1,70%. / COM BROADCAST

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