Sem investimento, faltará gás na Bolívia, diz Petrobras

O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, foi categórico ao afirmar hoje que, "se não houver novos investimentos na produção de gás natural na Bolívia, certamente faltará combustível para o cumprimento dos contratos com Brasil e Argentina. Todos os campos entram em declínio. Lá não é diferente, apesar da folga que havia no volume a ser produzido. Se não houver mudanças nas condições atuais - que afastaram os investidores da região -, vai faltar investimentos para garantir o suprimento", afirmou o diretor em entrevista coletiva à imprensa, após fazer apresentação sobre os planos da empresa para os próximos cinco anos, a convite do Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef), no Rio de Janeiro.Barbassa amenizou o tom, entretanto, ao lembrar que a redução no suprimento não deve ocorrer dentro de dois ou três anos, período em que o Brasil deve conquistar novas fontes de produção internamente, além de dar início às operações de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL). "Uma falta de gás nesse período não causaria problema algum à economia brasileira", disse.Segundo ele, os problemas de suprimento devem aparecer na "metade" do prazo que ainda falta para encerrar-se o contrato com a Bolívia, em 2019. "O suprimento ao Brasil se manteve estável e continua firme, mas nossa visão mais de longo prazo mostra que essa situação não tem como ser mantida", admitiu, lembrando que as regras para taxação da produção baixadas pelo governo boliviano em maio deste ano "desestimulam qualquer novo investimento no país"."Estamos pagando taxas equivalentes a 82% da produção. Isso na prática cobre somente os custos de produção, mas não permite uma nova injeção de capital para elevar o volume produzido", disse.SuperávitA Petrobras deve fechar 2006 com um superávit em sua balança comercial bem abaixo das expectativas divulgadas no início deste ano, que apontavam algo em torno de US$ 3 bilhões. Segundo Barbassa, ainda é cedo para divulgar qual seria a nova previsão, mas "provavelmente" ela ficará próximo de US$ 1 bilhão.Os motivos para a revisão das expectativas são, de acordo com ele, a queda no preço internacional do barril de petróleo e ainda o atraso na produção de algumas unidades no Brasil. Um deles é a P-50, que, apesar de ter entrado em funcionamento em abril, não atingiu ainda seu pico de produção. Outras paradas em plataformas no primeiro semestre também contribuíram para que o volume de produção no período ficasse abaixo do esperado.O diretor lembrou, entretanto, que a previsão é de que, neste segundo semestre, a Petrobras supere em larga escala o superávit verificado nos primeiros seis meses de 2006, de US$ 176 milhões. "Nossa meta de superávit tem que ser olhada num longo prazo, lembrando que em 2004 tivemos um déficit de US$ 3 bilhões, depois empatamos em 2005, e este ano teremos superávit. Portanto, os números mostram um avanço", disse.Ainda segundo Barbassa, também contribui negativamente para o Brasil o fato de o valor do barril de petróleo pesado estar mais desvalorizado em relação ao petróleo leve. A diferença de preços entre ambos chega hoje a superar os US$ 12. "Como importador de petróleo leve e exportador de petróleo pesado, sentimos diretamente este impacto", afirmou.

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