Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Bolsa cai 1,5% na semana com temor sobre economia global

Preocupação com desaceleração econômica mundial pesou mais no Ibovespa do que cenário interno

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2018 | 10h35
Atualizado 08 Dezembro 2018 | 00h22

Nem a alta do preço do petróleo foi suficiente para evitar o desempenho negativo nas bolsas de Nova York, que caíram cerca de 2% nesta sexta-feira, 7. Com a influência externa, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, caiu 0,82%, para 88.115 mil pontos.

O pano de fundo do comportamento dos investidores é a preocupação com uma desaceleração da economia global, alimentada pelos atritos entre Estados Unidos e China, que sinalizam um período conturbado de negociações comerciais. Isso fez com que as bolsas americanas acumulassem queda próxima de 4% nesta semana. 

Ontem, dois dirigentes do Federal Reserve (Fed) se pronunciaram: a diretora Lael Brainard defendeu altas graduais na taxa de juros “no curto prazo”, mas o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, sugeriu publicamente o adiamento da alta em dezembro e apontou o risco de inversão na curva de juros dos títulos públicos americanos, movimento visto como indício de recessão futura. 

Ontem, autoridades do Canadá apresentaram acusações contra a diretora financeira da gigante chinesa Huawei, Meng Wanzhou, também filha do fundador da empresa. Como a prisão dela ocorreu a pedido de autoridades dos EUA por suposta violação de sanções contra o Irã, analistas temem que a relação já complicada com a China piorem com o episódio. Segundo o Wall Street Journal, os EUA podem na próxima semana acusar formalmente hackers ligados ao governo chinês, em mais um provável atrito.

Refém da instabilidade das bolsas americanas, o índice brasileiro terminou a semana com perda de 1,55% em termos nominais e de 2,47% em dólares. 

“A bolsa doméstica tem sido refém do cenário internacional e aqui dentro o noticiário não ajuda. O noticiário interno é positivo naquilo que já era positivo: inflação controlada, balança comercial, balanço de pagamentos... Mas no que diz respeito a reformas, nada se resolve e o que se vê é o PSL batendo cabeça”, disse Alvaro Bandeira, economista da Modalmais. 

O contraponto do dia foi o petróleo, que chegou a subir mais de 5% e manteve as ações da Petrobrás em alta, o que amenizou a baixa do Ibovespa. O dólar teve uma sexta-feira volátil e terminou o dia em alta de 0,38%, a R$ 3,89. Foi a quarta sessão seguida de valorização, em meio ao aumento da aversão ao risco no exterior. /COLABORARAM ALTAMIRO SILVA JUNIOR E PAULA DIAS 

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