Sem reformas, juros continuarão elevados, diz HSBC

O chefe de pesquisa de mercados emergentes do HSBC, Philip Poole, acredita que as taxas de juros reais no Brasil vão continuar elevadas, apesar da perspectiva de continuidade de cortes na taxa básica (Selic) em 2007. Com juros elevados, a renda fixa deve continuar a ser uma opção de investimento melhor que a poupança, cabendo ao investidor buscar avaliar se a taxa de administração não é elevada demais. Em nota para clientes, Poole observou que o atual ciclo de relaxamento monetário já resultou num corte 6,5 pontos porcentuais na Selic. Mas, com a Selic atualmente em 13,25% ao ano, o juro ajustado à inflação ainda é superior a 10%. "Certamente novos cortes vão acontecer, mas continuamos acreditando que o piso para a taxa real de juros vai acabar sendo alto: o Brasil vai continuar arcando com o peso de altas taxas de juros reais, a menos que ocorra progresso substancial nas reformas estruturais." Poole salientou que o governo brasileiro obteve êxito na desdolarização da dívida pública. "Isso certamente reduziu a qualidade do peso do endividamento", disse. Entretanto, acrescentou, a relação entre a dívida do setor público e o PIB ainda está em 73%, sendo que 66% disso é denominado em reais. "Rolar um estoque de dívida dessa ordem de magnitude vai requerer a manutenção de taxas de juros reais altas até que esteja claro que o alicerce da qualidade do ajuste fiscal tenha melhorado", disse Poole.

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