Semana começa em clima de tensão

A ata divulgada semana passada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) abortou o chamado rally de início de ano, mas não deve ter força, segundo analistas, para impedir mais um ano positivo nos mercados financeiros. Em primeiro lugar, porque a probabilidade de uma recessão nos Estados Unidos ainda é baixíssima. Em segundo, porque, mesmo que os juros norte-americanos tenham de subir de novo, a eventual puxada não será forte o suficiente para abalar a economia mundial. Além disso, a queda dos preços das commodities, na sexta-feira, não deve configurar uma tendência. "Acredito que foi um ponto fora da curva", disse o diretor da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa. Seu colega Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, concorda. "Ainda há espaço para a sustentação dos preços das commodities." Para ambos, o movimento que detonou o forte recuo de sexta-feira - a desvalorização do cobre - deveu-se a um fator específico desse mercado, algo que no jargão do setor é chamado de correção técnica. Póvoa lembra ainda que o recuo nas cotações de outra commodity importante, o petróleo, nas últimas semanas pode até ser positivo para o Brasil, por conta de seu impacto nos índices de inflação e, conseqüentemente, na taxa básica de juros. "Não deixa de ser um bom cenário", observou. Otimismo com o futuro à parte, o fato é que a agenda de indicadores americanos voltou a ganhar importância depois da divulgação do documento do Fed. Nesta semana, o mais importante é o dado de vendas no varejo relativas a dezembro, que será anunciado sexta-feira. A expectativa dos analistas é de uma alta de entre 0,7% e 1% na comparação com novembro. "É um indicador-chave, pois revela o comportamento dos gastos das famílias, que têm sustentado o bom desempenho da economia americana", explicou Rosa. No Brasil, os destaques são índices de inflação referentes a dezembro e, conseqüentemente, ao ano de 2006 fechado. Sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A expectativa de Rosa é de que o indicador, que serve de referência para as metas de inflação, tenha apurado alta de 0,45% em dezembro e de 3,1% no ano. "Será a primeira vez, desde a adoção do sistema, em 1999, que a inflação ficará abaixo da meta estabelecida." Quarta-feira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de dezembro e do ano. Na quinta, a FGV anuncia a primeira prévia de janeiro do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M).

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