Semana é propícia à atuação de especuladores

Esta semana contém diversos ingredientes propícios à atuação dos chamados especuladores - um tipo de investidor que tem como um dos principais hábitos buscar lucros em operações de curtíssimo prazo. Esse ambiente deve-se, em grande medida, à divulgação de diversos indicadores importantes da economia dos Estados Unidos. Afinal, os dados que podem indicar a tendência para a atividade econômica no país têm apresentado contradição. A sexta-feira foi um bom exemplo disso. Enquanto as informações relativas às vendas no varejo em julho apontaram aquecimento, os números referentes à formação de estoques mostraram desaceleração. Nesse cenário, a volatilidade deve dar o tom dos negócios. A agenda de indicadores americanos está recheada. Começa amanhã, com a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) e os dados que mostram a temperatura do mercado imobiliário (NAHD, na sigla em inglês). Estende-se pela quarta-feira, quando sai o Índice de Preços ao Consumidor (conhecido como CPI). Este dado é considerado crucial por analistas, porque pode deixar mais clara uma tendência para a decisão da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) que ocorre no dia 20 de setembro. Por fim, na sexta-feira, é a vez do Índice de Confiança do Consumidor. No Brasil, a agenda não tem nenhum destaque. "Na penúltima reunião do Fed, ficou claro que os diretores já enxergavam uma desaceleração na atividade econômica. Agora, é preciso saber se essa também é a tendência para a inflação", comentou o economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon. A opinião dele está consolidada: o ciclo de alta das taxas de juros nos Estados Unidos se encerrou na reunião de junho, quando os Fed Funds foram elevados para 5,25% ao ano. "Mas o mercado está muito dividido", ressaltou. O chefe de análise econômica da Mercatto Gestão de Recursos, Paulo Veiga, vai na mesma linha. "A médio prazo, tudo aponta para um arrefecimento da atividade econômica americana", disse. Mas, ao contrário de Salomon, ele não está tão certo dos próximos passos da autoridade monetária dos EUA. "Talvez haja mais uma elevação de 0,25 ponto porcentual na taxa básica", afirmou. Com isso, os mercados acionário, de dólar, de dívida e de juros devem apresentar muita oscilação nos próximos dias. A tendência para a bolsa é totalmente indefinida. Para os outros três ativos, a expectativa é de que continuem apresentando queda nas cotações.

Agencia Estado,

14 de agosto de 2006 | 09h40

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