Semana mais curta sugere pausa no estresse com EUA

Uma semana mais curta que termina na quinta-feira, por causa do feriado da Semana Santa, e uma agenda fraca de indicadores sugerem um ambiente mais calmo para os negócios nos próximos dias. "A semana tem tudo para ser mais tranqüila, depois do estresse de sexta-feira provocado pelo cenário externo, por causa da alta dos juros americanos", comenta o tesoureiro do Banif Investment Bank, Rodrigo Boulos. De fato, a elevação do juro dos títulos americanos de dez anos, que encostou em 4,97% ao ano como reação a indicadores de emprego divulgados nos EUA, perturbou os investidores e criou instabilidade nos mercados no último dia útil da semana passada. A Bolsa de São Paulo interrompeu sete pregões seguidos de alta e recuou 0,91%; o dólar comercial subiu 0,94%. Fora os dados de petróleo e derivados que serão divulgados nos EUA na quarta-feira, dois outros indicadores americanos de destaque - dados da produção industrial e utilização da capacidade instalada, ambos de março - serão conhecidos na sexta-feira, feriado no País. A agenda de poucos indicadores de relevância pode levar o mercado a trabalhar com a idéia de que o juro dos títulos americanos de dez anos, cujo persistente e contínuo avanço reforça a preocupação dos investidores, estaria no limite de alta. Mas, mesmo assim, as especulações sobre o rumo dos juros americanos tendem a aumentar à medida que se aproxima a reunião do Federal Reserve (Fed), marcada para 9 de maio. Boulos prevê uma acomodação dos juros em torno dos atuais níveis, mas não descarta a possibilidade de que venha a romper o nível de 5% caso se fortaleça a expectativa de que o juro de curto prazo calibrado pelo Fed vá além de 5,25% - nível máximo previsto pelos analistas. No quadro doméstico, o mercado estará com o interesse voltado aos resultados da pesquisa CNT-Sensus sobre a corrida presidencial que serão divulgados amanhã. Mas até a hipótese de uma aproximação de Geraldo Alckmin (PSDB) em relação a Lula, ao contrário do que indicou a pesquisa Datafolha, não tende a influenciar os negócios. Nesse cenário, a previsão de Boulos é que o dólar comercial permaneça oscilando num intervalo de preço entre R$ 2,10 e R$ 2,18. O prognóstico é também de relativa estabilidade para a Bolsa paulista. "Os últimos pregões deixaram claro que o mercado fica inclinado à realização de lucros quando se aproxima dos 39 mil pontos." Um evento que pode levar a um aumento de volatilidade no mercado é o vencimento de opções sobre o Ibovespa futuro na quarta.

Agencia Estado,

10 Abril 2006 | 08h17

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