Semestre começa com a certeza de dólar continuar volátil

O mercado de câmbio começou a semana e o segundo semestre nesta segunda-feira, 01, com apenas uma certeza: o dólar tende a continuar volátil. A perspectiva de mudança na política monetária dos Estados Unidos, a perda de tração do crescimento da China e a maior desconfiança sobre a economia brasileira podem voltar a pressionar a moeda norte-americana em julho. Também é certo que o Banco Central continuará agindo para amenizar a volatilidade de olho no combate à inflação, afirmaram operadores de câmbio consultados pelo Braodcast.

SILVANA ROCHA, Agencia Estado

01 de julho de 2013 | 10h29

A abertura da sessão hoje confirma essas expectativas. O dólar à vista abriu os negócios com leve alta, virou para o lado negativo e já voltou a subir. No mercado à vista, o dólar no balcão atingiu uma máxima por volta das 10 horas, de R$ 2,2360 (+0,22%), depois de abrir com leve alta, a R$ 2,2320 (+0,04%) no balcão. Até o momento, a moeda à vista já testou uma mínima, de R$ 2,2220 (-0,40%) por volta das 9h25.

Na BM&FBovespa, às 10h17, o contrato de dólar com vencimento em 1º agosto recuava a R$ 2,2475 (-0,11%), após oscilar de uma mínima de R$ 2,2370 (-0,58) a uma máxima, de R$ 2,2500 (estável).

Há pouco, nos Estados Unidos, a Markit informou uma desaceleração do PMI industrial final de junho, para 51,9, de 52,2 na leitura preliminar. No Brasil, o HSBC informou que o PMI industrial do Brasil ficou estável em 50,4% em junho ante maio.

Já na China, mais cedo, foi divulgado que o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial oficial desacelerou para 50,1 em junho, embora tenha permanecido acima de 50 - o que indica expansão da atividade. Além disso, o PMI HSBC industrial chinês recuou para a mínima em nove meses de 48,2. Ainda assim, alguns participantes do mercado ficaram aliviados pelo fato de o PMI oficial da China ter permanecido acima do nível de 50 em junho, disse um operador de uma corretora.

Embora esses dados já estejam afetando os mercados, a maior expectativa dos investidores é pelo relatório mensal sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos, que será divulgado na sexta-feira. Os investidores em âmbito global aguardam esses indicadores para avaliar uma potencial aceleração da redução das medidas de estímulo econômico nos EUA.

Na zona do euro, os dados hoje vieram mistos. A taxa de desemprego voltou a renovar um recorde de alta, atingindo 12,1% em maio, ao passo que o índice PMI da indústria da região alcançou o nível mais alto em 16 meses, superando as estimativas. A abertura dos números mostra vigor na França, Itália e Espanha, ao passo que a Alemanha vacila. Ainda por lá, a União Europeia (UE) recebe hoje seu 28º país-membro, a Croácia, em meio à deterioração das relações diplomáticas com os Estados Unidos por causa do programa de espionagem norte-americano.

No Brasil, mais cedo, a Pesquisa Focus, divulgada hoje pelo Banco Central, mostrou um quadro negativo para os indicadores do País. Alguns profissionais disseram que as perspectivas piores para a economia interna podem embalar nova rodada de ajustes nos juros futuros e no mercado de câmbio. A Focus trouxe estimativas de aumento da inflação projetada para 2013 e 2014, queda na produção industrial neste ano, desaceleração do Produto Interno Bruto em 2013 e aceleração em 2014, avanço do dólar em 2013 (de R$ 2,13 para R$ 2,15) e elevação do déficit em conta corrente em 2013, de US$ 73,76 bilhões para US$ 74,50 bilhões.

Hoje, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) mostrou ligeira evolução, para 0,35% no encerramento do mês de junho ante 0,32% na última leitura de maio, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). No acumulado em 12 meses até junho, o indicador subiu 6,22% e no ano, 3,29%. O IPC-S de junho ficou dentro do intervalo das estimativas apuradas pelo AE Projeções, que iam de 0,32% a 0,39%, e logo abaixo da mediana projetada, de 0,36%.

Em Nova York, às 10h14, o euro estava em US$ 1,3035, de US$ 1,3010 no fim da tarde de sexta-feira; o dólar estava a 99,67 ienes, de 99,15 ienes na sexta. O dólar norte-americano recuava em relação ao dólar australiano (-0,60%), o peso chileno (-0,20%), o peso mexicano (-0,52%) e o dólar neozelandês (-0,42%).

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