Semler vende fatia na Cushman & Wakefield

O grupo Semco, do empresário Ricardo Semler, deixou a sociedade de doze anos na América Latina com a Cushman & Wakefield, empresa americana de consultoria e administração de ativos imobiliários. Semler, que começou a parceria dividindo o controle meio a meio com os americanos, ainda tinha 20% das ações na empresa. O valor da negociação é estimado em torno de US$ 13 milhões. Nada mal para quem investiu apenas US$ 2 mil na criação da subsidiária. No mundo, a Cushman é uma empresa do grupo Rockfeler de US$ 1,3 bilhão de faturamento e que está sendo vendida por US$ 973 milhões para o braço de investimentos da família italiana Agnelli, dona da Fiat. A subsidiária da América Latina, da qual Semler era sócio, faturou US$ 64 milhões no ano passado. ?O Ricardo é um homem muito inteligente. Ele colocou no bolso um valor muito alto?, afirma a presidente da Cushman para América Latina e Central, Celina Antunes. A saída definitiva do grupo Semco da sociedade já estava prevista em contrato para o final de 2007, mas foi antecipada por conta da mudança de mãos da Cushman. ?A subsidiária latino-americana era a última joint venture que sobrou no mundo?, diz o presidente do grupo Semco, José Violi. A empresa americana iniciou nos últimos anos um processo de extinção de parcerias com empresários locais. Só no ano passado, segundo Celina, ela assumiu 100% do controle das filiais do México, Canadá e Rússia. A empresa tem 197 escritórios em 58 países. EstiloA aproximação de Semler com a Cushman & Wakefield se deu de uma maneira no mínimo inusitada. Um dia qualquer em 1993, Semler apostou com os funcionários do Grupo Semco que conseguiria, pela lista telefônica, o número da empresa imobiliária do grupo Rockfeler. O episódio mereceu um dos capítulos do seu último livro Você está louco!. Semler conta que não só conseguiu o telefone, como falou por três minutos com o presidente da empresa, Arthur Mirante. Alguns dias depois ele embarcava para Nova York, sede da companhia, para uma reunião com Mirante. Um ano mais tarde, a joint venture Cushman & Wakefield Semco já estava formada, empregava 150 funcionários e tinha um faturamento de US$ 4 milhões na América Latina. Em 2006, o negócio já era 16 vezes maior. Celina, a executiva da Cushman, garante que a história é verdadeira. ?Na época, a Cushman não tinha interesse em abrir uma filial no Brasil. Mas o executivo achou a atitude de Semler tão inusitada que decidiu apostar?, conta Celina. Semler, que confessou não entender nada de corretagem imobiliária ao executivo americano, conta no livro que sua proposta foi aceita de cara.Essa foi a união mais longa na história de Semler. E a sociedade mais bem sucedida do empresário. A Cushman era responsável pelo segundo maior faturamento, perdia apenas para a empresa de equipamentos do grupo. Fabricante de grandes misturadores, era uma evolução do negócio criado pelo pai de Semler em 1953, que nasceu produzindo centrífugas. A filosofia de Semler é entrar nas empresas com data para sair. O dinheiro obtido com a venda será usado na compra de outros negócios, segundo Violi. O grupo tem uma equipe fixa especializada em prospectar novas oportunidades no mercado. No momento, o alvo de Semler são empresas na área de saúde e agronegócios.

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