S&P: Brasil pode receber investment grade em 2008

Segundo a diretora Lisa Schineller, para upgrade são necessários sinais que mostrem que a economia continua robusta

Luciana Xavier e Ricardo Leopoldo,

22 de fevereiro de 2008 | 15h28

A diretora de rating soberano da Standard & Poor's, Lisa Schineller, afirmou ao AE Broadcast Ao Vivo que o Brasil pode receber o investment grade em 2008 daquela agência. Essa foi a indicação mais firme até o momento de que a S&P pode conceder tal nota ao País neste ano. "O Brasil tem a (avaliação de) perspectiva positiva e pode receber o investment grade neste ano", frisou.   Ouça entrevista De acordo com Lisa, um conjunto de fatores pode tornar viável que o País se torne investment grade neste ano, pois seriam necessários "sinais que mostrem que a economia continua robusta". Além de manter a inflação sob controle, o que dá segurança aos agentes econômicos de que o IPCA continuará dentro da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, ela reforçou a importância do governo cumprir o objetivo de obter um superávit primário de 3,8% do PIB, como manifestou o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.  Outro elemento importante para que o Brasil conquiste o grau de investimento neste ano é dar continuidade à boa velocidade de expansão do produto interno bruto. A Standard & Poor´s projeta que o PIB subiu 5,25% em 2007 e deve registrar um avanço de 4,5% em 2008.  Para Lisa, seria importante que o País atingisse um patamar de crescimento como o estimado pela S&P, pois indicaria uma economia "resiliente", em um ano marcado pela forte desaceleração do nível de atividade norte-americana, que pode inclusive levar os EUA a uma recessão neste semestre.  A manutenção da velocidade de expansão do PIB, além de ser importante para elevar a renda e geração de empregos no País, também dá continuidade à queda da dívida pública em relação ao PIB, um dos principais fatores que chamam a atenção das agências de rating, pois indica qual é o ritmo de evolução da capacidade de pagamento de tal passivo por um país. Em 2007, a dívida pública interna atingiu 42,8%, bem acima do patamar de 20% do PIB, em média, dos países que receberam a nota investment grade da Standard & Poor´s.  Para Lisa, o País pode chegar ao status de investment grade neste ano mesmo em meio à crise externa. "Nós não retiramos a perspectiva positiva do Brasil apesar das incertezas globais porque vemos que os fundamentos do País estão mais fortes do que passado", frisou.  Credor Comemorada no âmbito doméstico, a estimativa do Banco Central de que o Brasil já pode ser credor externo em mais de US$ 4 bilhões, foi recebida como notícia velha pela diretora Lisa Schineller. "O Brasil como credor já está incorporado em nossas análises. Mas pela nossa definição, o Brasil ainda não é credor externo, embora já esteja bem próximo de ter dívida externa negativa", avaliou Lisa, de Nova York. Segundo ela, a condição de credor externo reforça que a economia nacional tem plenas condições de enfrentar a volatilidade registrada recentemente no mercado financeiro internacional, deflagrada com a crise do segmento subprime de hipotecas nos EUA. O rating soberano do Brasil foi elevado para BB+ para moeda estrangeira com perspectiva (outlook) positiva em maio de 2007. Lisa frisou que desde 2003 a S&P tomou "sete ações positivas" em relação ao Brasil, referindo-se aos upgrades e mudanças de outlook.

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