Sete empresas já têm status melhor que o do Brasil

Na semana passada, o Brasil comemorou a promoção que recebeu da agência de classificação de risco Standard & Poor's. Depois de muito esforço para reduzir a dívida externa e pôr as contas em ordem, o País teve sua nota elevada. Mas o Brasil ainda está a dois degraus do tão cobiçado grau de investimento. Enquanto isso, sete empresas brasileiras já chegaram lá. Elas têm uma reputação melhor que o próprio Brasil no exterior e pagam menos para obter empréstimos. Como é que AmBev, Companhia Vale do Rio Doce, Votorantim Celulose e Papel (VCP), Votorantim Participações, Aracruz, Petrobrás e Embraer conseguiram ganhar a classificação grau de investimento? Segundo Milena Zaniboni, analista da Standard & Poor's, as empresas que conseguem alcançar o grau de investimento costumam ter um perfil financeiro bastante conservador, pouca dívida, estrutura de custos baixa e muitas têm um caráter francamente exportador. As empresas mais globalizadas, que têm muitos negócios com o exterior, ADRs (ações negociadas lá fora), também têm vantagens. "Elas têm mais incentivos para pagar suas dívidas." "Somos muito conservadores no endividamento, nosso custo é baixo e exportamos 50% de nossa produção - a elevação da nota foi um reconhecimento de nossas políticas", comemora Valdir Roque, diretor de Finanças da Votorantim Celulose e Papel (VCP), que teve seu rating elevado para grau de investimento no dia 10 de fevereiro deste ano, pela S&P. A Companhia Vale do Rio Doce ganhou a classificação grau de investimento da agência Moody's em julho e da Standard & Poor's em outubro. A empresa já tirou proveito da promoção. Em janeiro deste ano, a Vale fez uma emissão de bônus de US$ 1 bilhão, com vencimento em 10 anos, a juros de 6,25% ao ano - o mais baixo custo obtido por um emissor brasileiro. De forma geral, a Vale conseguiu uma redução de 3 pontos porcentuais nos juros pagos, comparando com uma captação de perfil semelhante feita em 2003. Portanto, a empresa economizou US$ 30 milhões em juros por ano só nesse empréstimo. A AmBev foi a pioneira - promovida a grau de investimento pela Standard & Poor's em dezembro de 2004. Desde então, não fez nenhuma grande emissão no exterior. Mas, da próxima vez em que for captar dinheiro lá fora, a AmBev pagará 2 pontos porcentuais menos de juros, segundo estimativa de Marcio Kawassaki, analista da Fator Corretora. Um passo fundamental para a AmBev se tornar grau de investimento foi o fato de que a empresa passou a ter grande parte de sua receita em moeda forte com a incorporação da Labatt, cervejaria no Canadá. "A AmBev tem uma fonte segura de receita no exterior, o que permite a ela honrar seus compromissos em moeda forte", diz Ricardo Carvalho, diretor da agência Fitch.

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