Setor financeiro limita ganhos do Ibovespa

Mercado teme julgamento pelo STF de perdas de planos econômicos que causariam perdas de quase R$ 150 bi aos bancos 

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

22 de novembro de 2013 | 17h54

A Bovespa conseguiu se recuperar de duas sessões consecutivas de queda nesta sexta-feira, 22, ajudada principalmente pela alta das ações de blue chips, que foram beneficiadas pela fuga dos investidores dos papéis do setor financeiro em meio à expectativa de que uma correção das cadernetas de poupança possa levar a perdas bilionárias dos bancos. A alta das bolsas dos EUA e o leilão de concessões de aeroportos, considerado bem-sucedido, também contribuíram para a alta da bolsa brasileira.

No fim dos negócios, o Ibovespa subiu 0,21%, aos 52.800,74 pontos. Na mínima, registrou 52.096 pontos (-1,12%) e, na máxima, 53.221 pontos (+1,01%). No mês, o índice acumula queda 2,68% e, no ano, baixa de 13,37%. O giro financeiro totalizou R$ 6,251 bilhões.

O Ibovespa começou o dia em queda, mas apagou as perdas graças à melhora das bolsas internacionais e alta dos papéis da Petrobras e Vale. No entanto, as ações da estatal inverteram o sinal positivo antes do fechamento do pregão afetadas por rumores de que a reunião do Conselho de Administração que vai debater o gatilho para reajuste dos combustíveis pode ser novamente adiada, segundo fonte. A reunião ficou para o dia 29 por causa da falta de um consenso entre governo e estatal sobre a fórmula de reajuste. A nova data, segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, seria marcada para depois de 6 de dezembro. As ações PN da Petrobras perderam 1,10% no dia, enquanto as ON recuaram 0,95%. Já as ações da Vale ON subiram 0,89%, a R$ 35,33, e Vale PNA, +1,11%, a R$ 32,66.

A licitação dos aeroportos de Galeão (RJ) e Confins (MG) ajudou também a impulsionar os negócios e foi comemorado pela presidente Dilma Rousseff como "muito bem sucedida". O consórcio liderado pela Odebrecht Transport venceu a concessão do Aeroporto de Galeão (RJ), ao ofertar R$ 19,018 bilhões, o que representa um ágio de 293,9%. O Aeroporto de Confins (MG) foi vencido pelo grupo liderado por CCR com uma proposta de R$ 1,82 bilhão, ou ágio de 66%. O valor global do leilão chegou a R$ 20,839 bilhões, o que representa um ágio de 251,7%. O resultado impulsionou as ações da CCR, que terminaram o dia com alta de 1,26%. Analistas alertaram, no entanto, que o dinheiro resultante da concessão dos aeroportos só começará a entrar nos cofres do governo em 2015 e em parcelas. Mesmo assim, o leilão foi visto como uma sinalização positiva para os próximos leilões, incluindo o da rodovia BR-163, previsto para a próxima semana.

O apetite por risco na bolsa foi limitado em parte por notícias do setor financeiro. Na próxima quarta-feira, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) julgarão a correção das cadernetas de poupança nos planos Bresser (1987), Verão (1989), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991), uma conta que pode chegar a R$ 149 bilhões. Até agora, os julgamentos de ações individuais, em todas as instâncias, foram integralmente favoráveis aos poupadores. A notícia provocou quedas acentuadas dos papéis do bancos, gerando temores que essas instituições terão perdas bilionárias se a correção for aprovada. No encerramento do pregão: Banco do Brasil ON (-3,33%), Santander (-1,36%), Itaú Unibanco PN (-1,49%), Bradesco PN (-1,66%).

Nos EUA, as bolsas mantinham-se em alta no fim da tarde. Por volta das 17h30, o índice Dow Jones subia 0,27%, Nasdaq avançava 0,48% e o S&P 500 ganhava 0,40%.

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