Setor imobiliário capta R$ 10 bi e acende luz amarela na Bovespa

Até quarta-feira, quando o Shopping Iguatemi fará sua estréia na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), 15 empresas do ramo imobiliário já terão feito oferta de ações na bolsa num prazo de apenas 11 meses. O dinheiro captado nessas operações é próximo de R$ 10 bilhões, um volume nunca antes visto nessa indústria de uma tacada só. Até o fim do ano, outras oito companhias podem seguir o mesmo destino. Se de um lado a corrida ao pregão é o resultado natural de expectativas otimistas dos empreendedores imobiliários brasileiros, de outro acende uma luz amarela no mercado financeiro. A grande questão é: haverá espaço para todas as empresas na bolsa? Alguns especialistas apostam que não. Não há dúvidas de que o mercado imobiliário vai deslanchar com a queda da taxa de juros e o aumento do volume e dos prazos de financiamento. A festa, porém, não deve ser igual para todos. ?É cedo para dizer quais empresas vão se dar bem. Em termos macroeconômicos, é um setor interessante, de grande potencial. Mas o mercado vai ter suas preferidas?, afirma o analista de investimentos do Banco Modal Eduardo Roche. A chegada em massa dessas empresas à bolsa produz alguns efeitos na economia. O lado positivo é que as empresas se capitalizam para lançar produtos e acompanhar o crescimento da demanda. A parte ruim da história pode sobrar para o investidor, que corre o risco de apostar alto numa empresa hoje e perder dinheiro caso as expectativas não se cumpram. Além disso, para responder à pressão dos investidores por retorno, as empresas ainda podem inundar o mercado com lançamentos e ficarem com um estoque alto de imóveis. Euforia Segundo Roche, já há sinais de que a euforia não é tão grande como no começo. ?As últimas captações já saíram com preço médio, uma demonstração de que o mercado já está pedindo desconto. Nenhuma chegou ao topo.? Isso não significa que as empresas que estão abrindo capital agora terão um desempenho pior que as outras. Até agora, o mercado tem valorizado aqueles que têm propostas diferentes. Uma boa demonstração disso pôde ser vista na estréia da construtora Rodobens, no começo da semana passada. A empresa, especializada em imóveis para a média e baixa rendas, chamou a atenção do mercado justamente por ser uma alternativa às demais, ainda concentradas no mercado de média e alta rendas. ?O investidor vai eleger duas ou três empresas. Não tem nem analista para tudo isso?, afirma o diretor de relações com o investidor da Rossi Residencial, Sérgio Rossi. ?O investidor está perdendo um pouco da racionalidade. As captações de agora estão um pouco exacerbadas, o que é ruim para todo o mercado imobiliário.? A Rossi foi uma das empresas imobiliárias que puxaram a fila no pregão. Em fevereiro do ano passado, fez uma captação de R$ 1 bilhão, uma das maiores até hoje. Mas, no momento, as ações da empresa já não despertam tanto interesse como no começo. No último mês, os papéis da Rossi caíram 10,72%, enquanto o Índice Ibovespa teve queda de 0,85%. ?Há uma disputa dos investidores pelas empresas. Eles estão realizando lucros com Rossi, Gafisa e Cyrela para investir nas novatas?, afirma Rossi. Segundo o executivo, a Rossi ?sofreu um pouquinho mais? que as outras porque o mercado desconfiou das metas agressivas anunciadas na época da emissão de ações. ?Mas o papel vai voltar a subir com a divulgação dos resultados em fevereiro?, acredita. Para Rossi, as companhias que estão chegando precisam se provar para o mercado. ?A Tecnisa, por exemplo, captou quase R$ 1 bilhão. Como ela vai dar retorno operando só em São Paulo? Para migrar para outras praças, é preciso ter estrutura, parceiro local, projetos. É uma série de desafios que as grandes empresas já romperam?, alerta Rossi. Na opinião de Luís Largman, diretor de relações com investidores da Cyrela, outra pioneira, ?o mercado é soberano?. ?As coisas vão se definir a longo prazo. Quem está comprando agora tem suas razões.?

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