Siderúrgicas brasileiras já conversam sobre fusão local

O presidente do Sistema Usiminas, Rinaldo Campos Soares, disse que grupos siderúrgicos brasileiros já discutem a possibilidade de partirem para uma consolidação a fim de criar um grupo nacional mais forte. Além da Usiminas e Cosipa - ambas parte do Sistema Usiminas -, o grupo deveria contar ainda com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Açominas, controlada pela Gerdau, este o maior grupo siderúrgico brasileiro, se somado os negócios em aços longos.A afirmação de Soares foi dada ante o novo contexto mundial do setor, imposto pela criação da gigante Arcelor Mittal. "Essa é uma tendência, já perseguida pela Usiminas. Neste momento, penso que (este processo de consolidação) vai ocorrer com mais rapidez", disseDe acordo com Soares, os "movimentos" que ocorrem neste momento no Brasil são planejados "neste sentido", o da consolidação. Ele afirmou que cada empresa faz as análises internas sobre o assunto, mas não existe, por enquanto, algo definido sobre o assunto.Uma companhia que associasse Usiminas, Cosipa, CSN e Açominas representaria hoje, no contexto mundial, um grupo com produção de aproximadamente 17 milhões de toneladas de aço por ano. Esse volume colocaria o grupo na 10ª posição no ranking mundial dos setor siderúrgico, se já considerada a fusão entre Arcelor e Mittal.Isoladamente, todos estas empresas têm posições muito mais modestas no mercado mundial do que teriam num eventual junção de forças. O mais bem colocado é o Grupo Gerdau, com 13,7 milhões de toneladas de produção (incluídas as produções de Açominas e das unidades internas e estrangeiras de aços longos), o que o torna hoje o 14º colocado no ranking mundial do setor. Em seguida vem o Sistema Usiminas, com 8,7 milhões de toneladas, na 29ª posição. Por fim a CSN, com 5,2 milhões de toneladas de aço por ano, e a 48ª posição do ranking.Soares ponderou, entretanto, que a junção destas companhias exigiria algumas condições: a escolha correta dos tipos de produtos que seriam incluídos na consolidação; a economia de escala resultante da fusão ou consolidação com a conseqüente redução de custos; e haver, entre todos, cultura empresarial convergente. "Um movimento deste no Brasil, acredito, não enfrentaria nenhum problema em relação aos aspectos da cultura empresarial destas empresas. São grupos que se conhecem, e isso facilitaria", disse.GiganteAlém de impor um novo ritmo na busca de consolidações, os grupos brasileiros ganharam de uma só vez um gigante como concorrente. A conclusão do negócio tira a Mittal da completa ausência do mercado brasileiro à situação de líder nacional na produção de produtos siderúrgicos.A Arcelor Brasil, negócio que passa a fazer parte da nova Arcelor Mittal, é responsável pela produção de 11 milhões de toneladas de aço por ano, produzidas a partir das companhias controladas no País. A Arcelor Brasil é uma criação recente. Foi apresentado ao mercado brasileiro no dia 29 de julho de 2005, e reuniu sobre o mesmo teto os ativos da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (produtora de aços longos), Vega do Sul e Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), a maior exportadora de aço do País.Sob a Arcelor Brasil também estão a Acindar, fabricante de aços longos na Argentina, e uma participação na fabricante de aços especiais, Acesita.

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