Situação na bolsa é indefinida no curtíssimo prazo, diz Álvaro Bandeira

Por conta da piora da crise nos EUA, o diretor da Ágora está revendo posições de portfólio e projeções para bolsa este ano

Luciana Xavier e Sueli Campo,

20 de março de 2008 | 16h48

A situação da Bovespa, assim como das bolsas norte-americanas, está indefinida no curtíssimo prazo, disse o diretor da Ágora Álvaro Bandeira. Segundo ele, a Bovespa acompanha o movimento das bolsas de Nova York, que está sendo afetada pela queda das commodities.   Ouça entrevista com Álvaro Bandeira "Há necessidade de realização (de lucros) para cobrir prejuízos. Há estrangeiros vendendo forte na Bovespa para cobrir perdas em outros mercados", afirmou. Como há muita liquidez no mercado acionário brasileiro, a bolsa daqui acaba sendo mais afetada, acrescentou Bandeira ao AE Broadcast Ao Vivo.  Por conta do agravamento da crise nos Estados Unidos, o diretor da Ágora disse que está revendo posições de portfólio e projeções para a bolsa este ano. "Não trabalhávamos com a possibilidade de recessão nos EUA nem no 1º trimestre e já consideramos isso no radar como uma chance de ocorrer", argumentou. "Alguns indicadores mudaram radicalmente", observou.  A projeção para Bovespa em 2008 feita no final do ano passado pela corretora previa alta para 82 mil pontos e, agora, o diretor estima que ela pode ficar ao redor de 75 mil pontos, o que, segundo Bandeira, ainda é um patamar elevado tendo em vista a deterioração do cenário externo.  "Estamos otimistas de que haverá recuperação (nos EUA) a partir do 2º semestre quando as medidas poderão fazer a economia ter desempenho bem melhor do que no 1º semestre e especialmente do que no 1º trimestre", disse. Bandeira estima que o PIB dos EUA poderá ficar em 0% ou negativo no 1º trimestre, mas pode fechar em 1% ou 1,2% no final do ano.  Bandeira frisou que, apesar da volatilidade atual nos mercados, que afeta o real e a bolsa paulista, as perspectivas continuam sendo boas para o Brasil este ano. "Ainda vamos ter crédito farto e demanda crescendo. E o mercado de trabalho traz boas expectativas", disse.  Já a alta do dólar no Brasil e em outros países não deve manter-se por muito tempo, na avaliação do diretor. "O movimento de alta se sustenta no estresse momentâneo e na aversão ao risco. Mas essa arrancada não se mantém", comentou ao AE Broadcast Ao Vivo. Segundo ele, a moeda não terá fôlego para altas muito maiores e deve encerrar o ano entre R$ 1,77 e R$ 1,80. Ele também mantém previsão de Selic estável em 11,25% no fim do ano. Segundo Bandeira, o dólar está se fortalecendo por causa da queda dos preços das commodities, que está afetando especialmente as moedas do Brasil, Austrália, Canadá e Nova Zelândia, as três conhecidas como moedas commodities. "Uma forte especulação e um movimento de chamada de margem estão levando à queda das commodities. Mas a expectativa é de que a demanda por metais e alimentos continue muito forte", disse. O diretor disse que não há previsão para o estouro da bolha das commodities. "Não há previsão até onde a vista alcança. Mas diria que, com certeza, em 2009 a demanda continuará forte", analisou.

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