Sob influência da Europa, Bovespa cai e dólar tem valorização

Após a vitória da esquerda radical na Grécia, mercado mostra aversão ao risco

Agência Estado

26 de janeiro de 2015 | 12h07


A Bovespa estendeu a queda da sexta-feira passada até hoje e terminou em baixa, pressionada sobretudo pelas ações da Vale, após rebaixamento pela Standard & Poor's (S&P). O mercado exibiu recuperação no período vespertino, mas não conseguiu pisar no azul, apesar de as bolsas norte-americanas estarem majoritariamente em alta. Petrobras, que deve divulgar seu balanço amanhã, fechou em trajetória divergente, enquanto bancos subiram em sua maioria. O Ibovespa terminou a sessão em queda de 0,41%, aos 48.576,55 pontos.

Já o dólar encerrou a sessão em alta de 0,19% ante o real, a R$ 2,587, pautado principalmente pelo exterior, onde a moeda exibiu avanço em relação às demais divisas de países emergentes. Este movimento, por sua vez, esteve relacionado à eleição parlamentar realizada na Grécia, vencida pelo partido de oposição Syriza. Os investidores também buscaram a segurança do dólar por causa da agenda carregada de eventos ao longo da semana, com destaque para a decisão de política monetária nos EUA e para a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil. A trajetória do câmbio influenciou as taxas de juros, que também subiram.

Mo mercado acionário, as bolsas reagiram pela manhã em baixa ao resultado das eleições na Grécia. Mas os índices de ações na Europa terminaram no azul, enquanto a Bovespa ainda tinha noticiário doméstico amargo para digerir, como o racionamento cada vez mais iminente de água e energia elétrica. 

À tarde, com o noticiário esvaziado, a Bovespa encontrou espaço para diminuir a queda, mas o movimento chegou a ser interrompido pontualmente após a Standard & Poor's rebaixar a Rússia de BBB- para BB+, grau especulativo, com perspectiva negativa. 

Apesar de ser candidato a receber dinheiro que pode deixar a Rússia após o rebaixamento, o enorme dever de casa do Brasil pode atrapalhar o movimento - e faz crescer a leitura de que podemos ser os próximos a ser rebaixados. Sobretudo diante da perspectiva de PIB baixíssimo, possibilidade de falta de água e de luz e com as contas públicas ainda em rota de correção de rumo. 

Em meio à seca, as ações da Sabesp terminaram a sessão em baixa de 1,85% hoje. 

Vale, após rebaixamento pela S&P anunciado na sexta-feira à noite, para BBB+ de A-, com perspectiva estável, caiu 4,58% na ON e 4,59% na PNA. Bradespar PN, sua acionista, também terminou com retração, de 6,22%, todas entre as maiores quedas do índice hoje. 

Santander unit subiu 3,84% e liderou as altas, seguida por Estácio ON (+3,06%) e Kroton ON (+2,76%). Bradesco PN, +1,61%, Itaú Unibanco PN, +1,18%, mas BB ON recuou 1,14%. 

Petrobrás, cujo balanço do terceiro trimestre pode sair amanhã, caiu 0,90% na PN, mas subiu 0,21% na ON. 

Hoje, a Polícia Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendaram à Petrobrás "vedar o início de toda e qualquer obra sem ao menos o projeto básico concluído" e adotar medidas de prevenção e combate aos cartéis em licitações. As medidas são para restabelecer a confiança.

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