Sob pressão, multinacionais se tornam 'verdes'

A queima do bagaço de cana gera a energia que garante o funcionamento de um hipermercado da rede Bompreço, que pertence ao Wal-Mart, em Maceió, Alagoas. Outras duas lojas da rede no Nordeste também estão usando fontes de energia alternativa, como gás natural e eletricidade de pequenas centrais hidrelétricas. São iniciativas piloto da rede Wal-Mart, que, preocupada com sua imagem pública, quer adotar políticas voltadas a questões sociais e políticas.O conceito de sustentabilidade - que promete aliar ganhos econômicos, ambientais e sociais - tem sido incorporado à estratégia de negócios das empresas. A partir de pressões do próprio mercado, grandes empresas estão reformulando suas práticas e até mesmo criando novas divisões de negócios."Pela primeira vez, há um movimento mundial nesse sentido, e um dos motivos que tem levado as empresas a se preocupar com a questão ambiental é o futuro de suas próprias operações", explica Amy Skoczlas, vice-presidente da Conservation International (CI), uma das principais ONGs ambientalistas do mundo."O grande desafio para as empresas, nas próximas décadas, será lidar com a questão das mudanças climáticas, e todos os esforços serão nesse sentido, como energias renováveis e emissão mínima de gases de efeito estufa."A consultora é especialista em parcerias com empresas. Já ajudou gigantes como Starbucks, McDonald's e Citigroup, e atualmente desenvolve um plano de ação para o Wal-Mart nessa linha. Amy também morou durante três anos no Brasil, onde trabalhou junto a empresas como Bunge, Aracruz Celulose e Veracel.Segundo a consultora, ainda há empresas que ainda usam o discurso 'verde' desvinculado de práticas consistentes, mas o quadro está mudando. "Há empresas que realmente estão obtendo progresso, criando diretrizes setoriais para guiar seus negócios", diz a consultora.Ela cita como exemplos gigantes do petróleo como BP, Shell, Chevron e Texaco, que tem buscado explorar os recursos minerais com menor impacto ambiental.A empreitada do Wal-Mart rumo à sustentabilidade deverá consumir pelo menos US$ 500 milhões. De acordo com Wilson Mello Neto, vice-presidente do Wal-Mart Brasil, a rede varejista traçou metas para diminuir o consumo de energia elétrica e a geração de resíduos, e quer também aumentar a presença de produtos 'sustentáveis' em suas gôndolas - como alimentos orgânicos.Outra empresa que traçou um plano para incorporar a sustentabilidade à sua estratégia de negócios é a General Electric (GE). Em 2004, a empresa fez uma aposta em uma nova divisão de negócios, focada em tecnologias ambientais voltadas à indústria.As receitas da divisão, batizada de Ecomagination ainda são pequenas em comparação ao resto do grupo - US$ 10 bilhões em 2005-, enquanto o faturamento global da GE é de US$ 150 bilhões. "Para nós, trata-se de uma plataforma de negócios, com metas definidas", diz Marc Stoler, diretor da divisão Ecomagination da GE.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2006 | 11h31

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