Socopa recomenda redução da exposição no setor rodoviário

A suspensão do processo de licitação do lote de sete rodovias federais, que estava previsto para ser iniciado neste mês, reduz drasticamente o cenário positivo esperado para o setor, segundo avaliação da corretora Socopa. Em análise divulgada ontem, a corretora sugere aos seus clientes a redução da exposição dos investidores no setor rodoviário, principalmente em OHL e CCR, que devem ser as companhias mais prejudicadas no curtíssimo prazo. "Concluímos que o catalisador que esperávamos para o início deste ano foi completamente extirpado, representando uma mudança drástica de visão positiva para as concessões federais", afirma. A instituição ressalta, contudo, que resta a perspectiva de que as empresas participem com mais afinco nas concessões estaduais e, no caso da CCR, internacionais. O governo desistiu de conceder à iniciativa privada sete trechos de estradas federais e pretende administrar sozinho as praças de pedágio que deverão ser instaladas nessas estradas, como a Fernão Dias e a Régis Bittencourt. "O objetivo do governo é a criação de uma empresa federal para cobrar o pedágio e com isso investir a arrecadação em manutenção e recuperação das rodovias, contudo não acreditamos no sucesso desta empreitada do governo", destaca o relatório. As principais rodovias objeto de análise de privatização eram a Régis Bittencourt e a Fernão Dias, somadas a outros 5 trechos, sendo eles: a BR 153 (Transbrasiliana), em São Paulo; a BR 393, da divisa de Minas com Rio até o entroncamento com a Via Dutra; da BR 101, entre a divisa do Rio com o Espírito Santo e a Ponte Rio-Niterói; e um trecho contínuo das BRs 376, 116 e 101, de Curitiba a Florianópolis. A corretora avalia ainda que a falta de transparência do governo em relação a este processo de privatização é o pior fator desta decisão, que pode acarretar em forte redução do investimento privado no setor de concessões rodoviárias e ferroviárias. "O mercado deverá lembrar claramente do discurso populista e estrategicamente montado a fim de 'destravar os gargalos' da produção industrial e agroindustrial brasileira", afirma. A análise informa que este é o maior retrocesso desde o início do governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva. "A dúvida que se aponta no horizonte é como o governo conseguirá fazer investimentos nesse setor sem o auxílio das empresas privadas, que apresentam expertise nessa área, e vem fazendo um excelente trabalho nas rodovias concedidas", avalia. As ações da CCR lideraram ontem o ranking de maiores perdas do Ibovespa (principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo), tendo registrado queda de 7,39%. A desvalorização das ações da OHL, que não faz parte da cesta do Ibovespa, foi ainda maior: 12,62%.

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