Spreads dos bônus de emergentes diminuem, mas preços caem

Volume de negócios continua baixo

Álvaro Campos, da Agência Estado,

27 de agosto de 2010 | 19h10

Os yields dos bônus da dívida dos países emergentes reduziram o spread em relação a títulos tradicionalmente considerados "portos seguros", como os Treasuries, após os comentários do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, aumentarem o apetite dos investidores por ativos de maior risco.

 

Mas com o volume de negócios ainda baixo, como normalmente acontece em agosto, traders afirmam que poucas conclusões podem ser tomadas sobre a variação dos preços hoje. "Em setembro, quando as transações voltarem aos níveis normais, nós vamos descobrir se o que os bônus de mercados emergentes registraram nos últimos meses foi resultado de uma calmaria observada no verão (no Hemisfério Norte) ou se trata-se de uma forte convicção", comentou Timothy Ash, diretor de mercados emergentes do Royal Bank of Scotland.

 

A forte entrada de capital nos fundos de bônus emergentes acontece em um período em que as projeções para as economias desenvolvidas permanecem frágeis e os investidores estão procurando colocar seu dinheiro em ativos de renda fixa. Nesse cenário, ativos com um retorno alto têm sido mais atraentes do que os Treasuries, cujos yields estão próximos de mínimas recordes.

 

O prêmio de risco do Emerging Market Bond Index Global (Embig), do JPMorgan, diminuiu 11 pontos-base, para 308 pontos-base sobre os Treasuries. Mesmo assim, o índice perdeu 0,72% em termos de preço, porque os investidores abandonaram títulos de prazo mais longo. O bônus referencial do Brasil, o Global 2040, perdeu 0,125 cent, a 136,75 cents por dólar. Os preços dos bônus do país que vencem em 2030, 2034 e 2037 também recuaram.

 

Em um discurso feito hoje durante a conferência monetária anual promovida pelo Fed de Kansas City em Jackson Hole (Wyoming), Bernanke afirmou que o Fed está pronto a dar apoio à economia, mas não disse se vai adotar novas medidas.

 

Os preços dos bônus do Peru caíram, juntamente com os da Colômbia. O governo peruano divulgou hoje que o PIB cresceu 10,1% no segundo trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado. Mas economistas esperam que a economia esfrie nos próximos meses. Já o ministro das Finanças da Colômbia, Juan Carlos Echeverry, disse na noite de ontem que o banco central do país enviou uma mensagem de que está "preocupado" com a apreciação do peso, apesar de não ter anunciando nenhuma medida para deter esse fortalecimento.

 

Os bônus da Rússia, que estão sob pressão com os receios sobre a economia global, também caíram hoje. A imprensa local do país divulgou que o ministro das Finanças, Alexei Kudrin, afirmou que vai continuar investindo as reservas do país em bônus denominados em euro, acrescentando que prevê uma perspectiva estável para a moeda comum europeia.

 

As dívidas soberanas de Gana não se deixaram abater pelo fato da agência de classificação de risco Standard & Poor's ter rebaixado o rating do país para B, de B+. O spread dos bônus ganenses no Embig diminui 24 pontos-base, para 377 pontos-base sobre os Treasuries, e o índice do país avançou 0,34%. Em um comunicado, a S&P justificou o rebaixamento citando o grande déficit fiscal do país e as incertezas ligadas à regulamentação do setor petroleiro. As informações são da Dow Jones.

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