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Sustentada pelo cenário externo, Bolsa atinge maior nível do mês

Após o Fed (BC dos EUA) sinalizar que o aumento da taxa de juros não deve ocorrer no curto prazo, Ibovespa seguiu com movimento de alta, fechando com valorização de 2,47%, aos 51.526,19 pontos

Claudia Violante, O Estado de S. Paulo

18 de março de 2015 | 17h50

O investidor estrangeiro continua sustentando a recuperação recente da Bolsa brasileira, mas nesta quarta-feira a trajetória ganhou reforço do comunicado do Federal Reserve, que não cravou uma expectativa de curto prazo para o aumento para a taxa de juros. O BC dos EUA tirou o termo "paciente" de seu comunicado, como esperado, mas a presidente da instituição, Janet Yellen, afirmou que isso não significa que haverá elevação dos juros na reunião de junho do Fomc. Ela ressaltou que essa possibilidade não pode ser descartada, mas sinalizou que o aperto monetário não deve ocorrer nas próximas duas reuniões do Fomc.

Com isso, as bolsas norte-americanas passaram a subir com vigor e a Bovespa, que já avançava, renovou as máximas e ultrapassou os 2% de ganhos. O índice acabou com valorização de 2,47%, aos 51.526,19 pontos, no maior nível do mês. Em apenas três sessões de forte valorização, o Ibovespa acumula alta de 6,03%. A título de ilustração, no mês até a última sexta-feira, o índice caía 5,79%, mas, até hoje, a baixa se limita a apenas 0,11%. No ano, a Bovespa avança 3,04%. O giro financeiro totalizou R$ 8,309 bilhões.


Os investidores estrangeiros foram presença na compra novamente na sessão. Antes do Fomc, profissionais das mesas citavam o apetite do "gringo" em meio aos preços mais baixos e da percepção de que o governo está "correndo atrás do prejuízo" para tentar aprovar as medidas fiscais e impedir que seu rating seja rebaixado. Nesta quarta-feira mesmo a Fitch Ratings teve encontro com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que tem trabalhado arduamente na tarefa de convencimento não só das agências como também dos parlamentares pelas medidas de ajuste fiscal.

Nesta terça-feira, o governo conseguiu aprovar o Orçamento de 2015 e, agora, a equipe econômica pode promover novos cortes nos valores destinados aos ministérios, numa ação que mostra que o governo também fará sua parte no ajuste, cortando "na carne". Depois das manifestações do último domingo, e após uma taxa de avaliação ruim ou péssima bastante elevada - o Datafolha mediu 62% ante 44% em fevereiro -, o governo tem mostrado empenho para fazer a coisa andar. Nesta quarta-feira a presidente Dilma Rousseff lançou um pacote anticorrupção, e a leilão da ponte Rio-Niterói na BM&FBovespa também reiniciou o programa de concessões - que pode resultar em mais caixa nesse momento de controle de gastos.

Com tudo isso e em meio à notícia de que a Eletrobras vai repactuar sua dívida com a Petrobras, o Ibovespa exibiu ganhos firmes. A própria estatal do petróleo ultrapassou 4% de ganhos, com a ON subindo 4,36% e a PN avançando 4,27%.

Vale, entretanto, caiu em meio ao recuo do preço do minério de ferro na China. Vale ON, -1,46%, e Vale PNA, -2,39%. Os bancos, por outro lado, tiveram robusta elevação: Bradesco PN, +3,94%, Itaú Unibanco PN, +3,02%, BB ON, +7,08%, Santander unit, +3,08%. Ainda no setor financeiro, Cielo ON avançou 3,51% e BM&FBovespa ON, +4,19%.

Nos EUA, o Dow Jones terminou com variação de +1,27%, aos 18.076,19 pontos, o S&P subiu 1,21%, aos 2.099,42 pontos, e o Nasdaq teve alta de 0,92%, aos 4.982,83 pontos.

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