TAM assume primeiro lugar no setor aéreo e corta custos

A TAM acaba de se transformar na maior companhia aérea brasileira. Em abril, ela conseguiu, pela primeira vez, ultrapassar a Varig no número de passageiros transportados no Brasil e no exterior. Até então, a TAM liderava no Brasil, mas perdia para a Varig quando se somava o mercado internacional. Em abril, a TAM ficou com 37% do movimento total, contra 35% da Varig e 22% da Gol. A liderança, porém, não trouxe tranqüilidade aos executivos. Na quarta-feira à noite, a companhia realizou uma grande festa em sua sede, em um hangar no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para comemorar os 30 anos de fundação e o lançamento dos novos uniformes do pessoal de bordo. O clima era de festa, mas até a troca da roupa e até da maquiagem das aeromoças revela uma preocupação da empresa. A TAM mudou os modelos não só para renovar o visual, mas para economizar no tecido. A TAM está em um dos melhores momentos de sua história: assumiu a liderança do mercado, lucrou R$ 111 milhões no primeiro trimestre (o dobro do mesmo período de 2005), e vendeu R$ 2,1 bilhão em ações para os investidores. Seu concorrente mais tradicional, a Varig, está batido. Entretanto, existe uma ameaça no horizonte. A Gol está avançando, crescendo mais rápido e com custos mais baixos. O presidente da TAM, Marco Antônio Bologna, não quer abrir mão da liderança que acaba de alcançar. ?Vamos fazer de tudo para seguirmos como líderes?, disse Bologna ao Estado. Os planos de Bologna apontam em duas direções. A primeira delas é baixar os gastos de maneira radical. A segunda é resgatar os valores da imagem do fundador da empresa, o comandante Rolim Amaro, que morreu em 2001. ?Vamos acabar com a ?desrolinização? da TAM?. O corte de custos não começou agora, mas está sendo aprofundado. A empresa que ficou conhecida por estender o tapete vermelho aos passageiros, agora vai trocar o carpete dos aviões, por um material mais leve e barato. Os uniformes das aeromoças têm menos peças. O lenço da comissária de bordo se foi. Os aviões ganharam bancos novos, mais leves para se economizar combustível e com o encosto mais fino para caber mais uma fileira com seis poltronas. A empresa que chegou a colocar pianistas na sala de espera agora está economizando no lanche de bordo. Em alguns vôos, a TAM já trocou os sanduíches por biscoitos. ?Mas não chegamos na barrinha de cereal?, brinca Bologna. Sua conta é simples. ?Transportamos 19,5 milhões de passageiros no ano passado. Cada R$ 1 que se economiza por passageiro são R$ 19,5 milhões?, diz Bologna. Com economias como essa, a TAM reduziu a diferença no preço da passagem em relação aos concorrentes. Seu projeto é continuar cortando custos, mas manter uma diferença de serviços. Aí entra o projeto de acabar com a ?desrolinização? e resgatar a imagem de empresa que presta melhores serviços que a concorrência, uma marca da gestão do comandante Rolim. Mas existe uma diferença em relação aos tempos de Rolim. Luxo agora não é mais o tapete vermelho. A principal diferença no serviço hoje é oferecer mais freqüências e vôos diretos em suas rotas. Ou seja, a empresa quer garantir que o cliente pegue menos fila no check-in, encontre mais opções de horários de vôos e que seus aviões atrasem menos do que os da concorrência. Os aviões serão mais confortáveis e terão mais diversão do que o dos concorrentes, mas a diferença não será tão grande como já foi. ?Saímos de uma tarifa alta em relação ao concorrente para uma tarifa mais palatável, ganhamos eficiência. Agora estamos recuperando o nosso DNA, recuperando o espírito de servir do comandante Rolim?, diz. Com R$ 643 milhões em caixa após dois lançamentos de ações, na Bolsa de São Paulo e em Nova York, a empresa se prepara para crescer, mas de forma cautelosa. A TAM quer pegar embalo no mercado brasileiro. No ano passado, o mercado cresceu 19%. No primeiro trimestre, voltou a crescer 25%. Ao mesmo tempo, a participação da TAM se elevou e hoje está em 43,91%. Cuidadosa, a TAM projeta fechar o ano com participação de 45%, o que não leva em conta o esvaziamento ou a quebra da Varig. ?Fazemos nossas previsões de maneira conservadora?, diz o vice-presidente financeiro, Líbano Miranda Barroso, um dos responsáveis pelas mudanças na gestão da empresa. ?E ninguém sabe o que vai acontecer com a Varig.? A própria TAM olha com atenção para a concorrente, mas só vai entrar no leilão para comprar a empresa se tiver certeza que não herdará nenhuma dívida e que o negócio é rentável. Por enquanto, a prioridade é o crescimento tradicional, trazendo mais aviões e abrindo novas rotas. A TAM pretende encerrar este ano com 90 aviões, contra 76 no ano passado e podendo chegar a 100, em 2009. ?Dependendo da demanda, podemos aumentar para 140. Mas preferimos agir com cautela?, diz Bologna. Embora tenha levantando R$ 2,1 bilhões na venda de ações, a maior parte do dinheiro foi para os fundos de investimento com participação na TAM. Só R$ 643 ficaram na TAM. Somando com aplicações financeiras e capacidade de endividamento, a TAM diz ter R$ 1,7 bilhão para investir. ?É caixa de gente grande?, diz o normalmente cauteloso Bologna.

Agencia Estado,

12 de maio de 2006 | 18h52

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