Taxa de emprego nos EUA tranqüiliza mercados

O resultado da criação de vagas de trabalho (payroll) nos EUA em maio, que veio abaixo da previsão média dos mercados, ampliou a retomada de um clima de maior tranqüilidade e até de algum otimismo que vinha dominando os investidores expostos a mercados emergentes desde ontem. O impacto positivo do payroll sobre os negócios foi nítido e imediato no exterior. E o mercado brasileiro acompanha esta reação. Às 10h20, o dólar comercial apresentava recuo de 1,7%, negociado a R$ 2,215 no câmbio à vista, na mínima do dia. Desde ontem, o mercado de câmbio expressava maior tranqüilidade, seguindo o comportamento internacional. Os analistas ponderam que, apesar da serenidade estar sendo retomada perante dados favoráveis dos EUA, o final da incerteza só deve ocorrer na reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), no final do mês. Mas nesta manhã a melhora do mercado brasileiro é generalizada. No mercado de juros as taxas do DI futuro já tinham começado o dia em baixa ante os fechamentos e ajustes anteriores e ampliaram a queda após o payroll. O juro do DI de janeiro de 2008 bateu a mínima de 15,44%. O Ibovespa, por sua vez, subia 1,77% às 10h20. Em Nova York, os juros dos treasuries recuam e os futuros indicam alta das bolsas. A criação de apenas 75 mil novas vagas de trabalho nos Estados Unidos em maio surpreendeu os analistas estrangeiros. A previsão mais baixa era de 125 mil novos empregos. "Isso reforça a aposta de que a escalada dos juros nos Estados Unidos vai ter uma pausa diante da desaceleração econômica", observou um estrategista de um banco norte-americano baseado na City londrina. "É uma boa notícia para os emergentes." Mas tanto ele como outros analistas alertam que essa retomada de um tom de maior calma nos mercados não significa necessariamente que a volatilidade foi superada. A exemplo do que ocorreu nas últimas semanas, novos indicadores que sinalizem uma tendência oposta à de hoje - ou seja, da necessidade de um maio aperto monetário nos Estados Unidos - poderão provocar renovados movimentos de aversão ao risco, penalizando os emergentes. "Até pelo menos o dia 29 de junho, data da próxima reunião do Fed, os mercados estarão de prontidão", disse o analista. Segundo ele, será preciso também observar se a economia norte-americana não começa a apresentar sinais preocupantes de um desaquecimento excessivo, o que também teria um efeito negativo sobre os mercados. "Mas por enquanto, dá para comemorar."

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