Taxas futuras recuam com o dólar apesar de IPCA e IGP-M

A despeito de o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro ter superado um pouco a mediana das estimativas, as taxas futuras de juros terminaram em baixa, sobretudo nos vencimentos mais longos. Tal movimento esteve atrelado à queda do dólar e também à alguma relativização em relação ao IPCA, uma vez que o indicador de difusão recuou e o índice cheio não veio tão distante assim do consenso.

MÁRCIO RODRIGUES, Agencia Estado

12 de março de 2014 | 17h01

Ao término da negociação regular, o DI com vencimento em julho de 2014 (53.735 contratos) tinha taxa de 10,79%, de 10,80% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2015 (204.165 contratos) projetava 11,11%, de 11,13% na véspera. No trecho mais longo, o contrato com vencimento em abril de 2017 (219.990 contratos) indicava 12,47%, de 12,55% ontem. O DI para janeiro de 2021 (41.970 contratos) estava em 12,90%, de 12,97% no ajuste anterior.

O dólar interrompeu hoje uma sequência de três altas consecutivas diante do real, período no qual acumulou valorização de quase 2%, e recuou 0,13%, cotado a R$ 2,360 no mercado à vista de balcão. O movimento esteve relacionado não apenas a uma pressão menor vinda do exterior, mas principalmente ao fluxo cambial positivo verificado na primeira semana de março. O fluxo cambial mostrou forte reversão neste começo de mês, depois de ficar negativo em US$ 1,856 bilhão em fevereiro. Segundo o Banco Central, a entrada líquida de recursos no País em março até o dia 7 somou US$ 2,702 bilhões. Agora, no acumulado do ano, o fluxo está positivo em US$ 2,457 bilhões.

Devido a esse movimento do dólar, os investidores em juros minimizaram os dados de inflação conhecidos hoje. Logo cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA de fevereiro subiu 0,69%, dentro das estimativas e um pouco acima da mediana encontrada pelo AE Projeções, de 0,65%. O indicador de difusão do IPCA, segundo cálculos da Rosenberg & Associados, caiu para 63,6% no índice de fevereiro, após bater em 71,5% no mês anterior.

Antes do IPCA, a primeira prévia do IGP-M de março veio com taxa de 1,16%, o que representa uma forte aceleração de 0,22% na primeira prévia do mesmo índice de fevereiro. A taxa ficou acima da mediana das estimativas, de 0,98%. No setor agropecuário, a inflação ficou em 3,81%, depois da deflação de 1,63% em fevereiro. O IPA-M subiu 1,55%, de 0,04% e as matérias-primas brutas, 2%, ante -0,70%. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o impulso veio dos grãos. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,57% na primeira quadrissemana de março, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A mediana, neste caso, era de 0,50%.

Vale notar que, no exterior, as preocupações com os emergentes continuaram no radar, incluindo os temores sobre o crescimento da China e a contínua crise da Ucrânia. Com isso, a busca por segurança ajudou na queda dos yields dos Treasuries, o que também teve peso sobre a queda das taxas de juros longas no Brasil. Às 16h30, o juro do T-note de 10 anos cedia a 2,719%, de 2,764% no fim da tarde de ontem.

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