Taxas futuras sobem com desconfiança sobre energia

As taxas futuras de juros voltaram a subir nesta sexta-feira, 14, dando continuidade ao movimento de ontem. Mas se na véspera o avanço foi resultado da expectativa pelo pacote para o setor elétrico e o impacto que poderia ter sobre a inflação, hoje o comportamento está atrelado às incertezas em relação às medidas, uma vez que o governo tomou ações que jogam o problema para 2015 em diante. Não por acaso, os juros longos sobem com mais intensidade. Além disso, ainda que em menor grau, o IBC-Br de janeiro acima do consenso ajudou no avanço das taxas futuras. O acúmulo de prêmios, no entanto, foi limitado pela desvalorização do dólar ante o real, em meio a um aparente fluxo de entrada de recursos no País.

MÁRCIO RODRIGUES, Agencia Estado

14 de março de 2014 | 16h45

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, o DI com vencimento em julho de 2014 (91.275 contratos) tinha taxa máxima de 10,82%, de 10,81% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2015 (140.030 contratos) projetava 11,16%, de 11,15% na véspera. No trecho mais longo, o contrato com vencimento em abril de 2017 (319.765 contratos) indicava 12,55%, de 12,50% ontem. O DI para janeiro de 2021 (34.060 contratos) estava em 12,98%, de 12,92% no ajuste anterior.

Ontem, com o mercado de juros já nos últimos minutos da sessão estendida, o governo anunciou que as distribuidoras terão um socorro de R$ 12 bilhões para arcar com o aumento do custo da energia trazido pela estiagem que atinge o Brasil, demandando o acionamento das térmicas, cuja energia produzida é mais cara. O governo realizará ainda um leilão de energia e o custo chegará ao consumidor em 2015. Serão R$ 4 bilhões do Tesouro para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que serão compensados por aumento de tributos. Outros R$ 8 bilhões virão de um financiamento de R$ 8 bilhões que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) buscará junto aos bancos. Esse último valor será embutido nas contas de luz a partir de 2015.

A desconfiança do mercado reside no fato de o governo não ter informado quais tributos serão elevados para compensar os R$ 4 bilhões adicionais do Tesouro, além dos R$ 9 bilhões que já estavam previstos no orçamento. Além disso, não se sabe qual o impacto que tais ações podem ter na inflação a partir de 2015, nem por quanto tempo. Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o pacote ao setor foi "bem recebido". Foi a única declaração dele, pela manhã, ao deixar a sede do Ministério, em Brasília, para vir para São Paulo.

Logo cedo, o Banco Central anunciou o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de janeiro, com alta de 1,26% ante dezembro do ano passado, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou acima da mediana das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE Projeções (1,00%). Na comparação entres os meses de janeiro de 2014 e 2013, o avanço de 0,93%, sem ajuste, também superou a mediana das previsões (0,55%). Para alguns analistas, o dado corrobora mais uma alta de 0,25 ponto porcentual da Selic em abril.

E hoje o dólar não foi fator de pressão adicional aos juros. A moeda dos EUA operou em baixa durante boa parte da sessão, influenciado pelo exterior e também por um fluxo de entrada de recursos no País. Vale lembrar que, recentemente, a Petrobras e o Daycoval fizeram captações no exterior, enquanto o Marfrig reabriu a emissão de um bônus.

Tudo o que sabemos sobre:
juros

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.