Taxas futuras sobem com inflação e avanço do dólar

As taxas futuras de juros voltaram a subir nesta segunda-feira, 10, em um movimento que teve início no começo do dia, após o IGP-DI de fevereiro ficar acima do teto das projeções dos analistas. À tarde, o dólar passou a subir diante do real, o que fez com que as taxas, apesar do avanço relativamente discreto, terminassem perto das máximas da sessão.

MÁRCIO RODRIGUES, Agencia Estado

10 de março de 2014 | 17h01

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, o DI com vencimento em julho de 2014 (67.345 contratos) tinha taxa máxima de 10,81%, de 10,80% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2015 (158.020 contratos) projetava 11,17%, de 11,13% na sexta-feira. No trecho mais longo, o contrato com vencimento em abril de 2017 (147.245 contratos) indicava 12,60%, de 12,55%. O DI para janeiro de 2021 (20.270 contratos) estava em 12,98%, de 12,95% no ajuste anterior.

Logo cedo, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o índice mostrou forte aceleração para 0,85% em fevereiro, contra 0,40% em janeiro. O resultado ficou acima do teto das estimativas do levantamento AE Projeções (0,71%). Segundo a FGV, a aceleração foi impulsionada pelos preços no atacado (+1,0% do Índice de Preços ao Produtor Amplo, IPA, ante 0,12% no mês anterior).

Além disso, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) acelerou para 0,71% na primeira quadrissemana de março, de 0,66% na leitura imediatamente anterior, também segundo a FGV. O resultado ficou 0,05 ponto porcentual acima do registrado na leitura imediatamente anterior, quando o indicador apresentou variação de 0,66%. O grupo Alimentação, que avançou de 0,82% na quarta quadrissemana de fevereiro para 1,17% na primeira de março, foi o que mais contribuiu para a aceleração do IPC-S.

Vale destacar a liquidez reduzida no mercado de juros, em meio à cautela adotada pelos investidores diante dos indicadores a serem conhecidos nesta semana (produção industrial, vendas no varejo e IPCA) e por conta da visita da Standard & Poor''s ao Brasil, para colher informações que podem resultar no rebaixamento da nota brasileira. Amanhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reúne com empresários em São Paulo, a fim de ouvir a avaliação do setor privado em relação à economia.

Em meio a alguns estímulos divergentes, o dólar terminou o dia com alta diante do real, influenciado pela aversão ao risco global e, consequentemente, pela saída do investidor estrangeiro da Bovespa. Nesse ambiente, o dólar à vista no balcão encerrou com valorização de 0,13%, a R$ 2,3520.

O clima ruim no exterior desde o começo da sessão, diante do déficit comercial da China de US$ 22,98 bilhões e que contrariou a expectativa de um superávit, teve continuidade com o presidente do Fed da Filadélfia, Charles Plosser, que falou nesta manhã em um evento em Paris e argumentou que o ritmo de redução de compras mensais de ativos do Fed talvez precise ser acelerado.

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