Teixeira da Costa avalia que dólar atingiu o piso

Para o conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e do Conselho de Empresários da América Latina (Ceal) Roberto Teixeira da Costa, as medidas a serem adotadas para segurar a queda do dólar darão resultados e a moeda norte-americana não deve recuar mais. "Eu acho que certamente nós estamos no piso de dólar", afirmou o conselheiro em entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News. "Eu acho que vai dar maior facilidade e vai diluir a oferta de cambiais no mercado", frisou. "E daqui para a frente a tendência é uma valorização do dólar em relação ao real." Até aqui, os mercados tradicionais eram mais estáveis e os países emergentes sempre viviam diante de oscilações e de grande volatilidade. "Mas o que nós vemos hoje é que a volatilidade é um fator presente em todos os mercados mundiais", ponderou Costa. No caso do Brasil, ele acredita que a vulnerabilidade esteja mais ligada a legislações que ficaram inacabadas. "As agências reguladoras, por exemplo, foram criadas para deixar registrados marcos regulatórios que independeriam de governos. Mas o que assistimos no Brasil hoje é que existe uma disputa de poder entre as agências regulatórias e os ministérios", salientou. "O que leva a decisões muito mais políticas, o que do ponto de vista de quem quer investir no País só gera intranqüilidade." Depois do lançamento de mísseis pela Coréia do Norte, a onda de ataques israelenses ao Líbano e a instabilidade política no Irã são fatores que preocupam os países emergentes. "É que isso cria um ambiente externo muito pouco favorável para a questão de confiança dos mercados. E num momento como esse - nós já vimos no passado - as pessoas pensam em investir nos títulos mais seguros, como os do Tesouro americano, o que influencia efetivamente a taxa de juros e o preço do petróleo", ponderou. Para ele, o preço do petróleo é a variável-chave que determina todo o comportamento dos mercados. Embora não seja afetado diretamente pelo aumento de preços do petróleo, por ser auto-suficiente na produção do insumo, o Brasil deve sofrer impacto indireto no crescimento econômico. "É óbvio que também o Brasil vai pagar um preço por esta fase de ajustamento", previu Costa. Mesmo assim, ele acredita que, com as contas relativamente em ordem, os efeitos serão modestos. "Felizmente, o Brasil está vivendo uma fase positiva, as variáveis macroeconômicas estão todas ajustadas", salientou o conselheiro.

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