Telemar está entre as maiores perdas da Bolsa hoje

As ações da Telemar estão entre as principais perdas da Bolsa de Valores de São Paulo nessa manhã. Por volta das 11h40, as ações ON caíam 2,71%, as PN -1,03% e Telemar Norte Leste tinha queda de 1,75%. BRT Participações ON e operadora PN acompanhavam a movimentação. Os papéis, sobretudo as ações ordinárias, passaram a corrigir trajetória e sofrer desconto desde ontem, devolvendo fortes lucros da terça-feira. O mercado começa a operar com a possibilidade de a operação de reestruturação não ser aprovada ainda esse ano. As ações têm se destacado essa semana graças a novidades no processo de reestruturação da companhia. No dia 26 foram divulgadas respostas da Comissão de Valores Mobiliários a questionamentos da empresa sobre a assembléia que discutirá a reorganização. Entre as decisões, os detentores de PN que também possuem ONs poderão votar, e a votação na terceira convocação admitirá quórum de 25% das PN, excluídas as ações em tesouraria. Os papéis reagiram em alta a essa novidade, apostando que grandes investidores detentores de PN votariam com a empresa. Ontem, no entanto, as quedas passaram a englobar uma mescla de correção e de notícias desfavoráveis vindas dos fundos dos Estados Unidos. O Genesis Fund Managers, detentor de 16.327.700 recibos de ações da Telemar nos EUA por meio de ADRs, representando 6,25% dos papéis PN da empresa brasileira, informou à SEC (comissão de valores mobiliários norte-americana) que pretende votar contra a reestruturação societária da companhia. O fundo, sediado em Londres, classificou a estrutura de votação como "injusta", acrescentando que os termos da proposta favorecerão os ordinaristas. O Genesis baseou seu protesto em manifestação de outro fundo, o Brandes. Sediado na Califórnia, este player detém 8,75% das ações preferenciais da Telemar por meio de ADRs nos EUA. Juntos, ambos possuem cerca de 15% das PNs. Mas ainda há quem aposte que outros acionistas, com fatia significativa, votarão a favor. O problema é que a redução do quórum para 25% das PN vale apenas para a terceira convocação, o que pode adiar a tomada de decisão e passá-la para 2007. Entre as implicações negativas disso está o não pagamento em tempo hábil dos volumosos dividendos anunciados pela empresa já em 2006, caso a reorganização passe. A previsão seria um pagamento de R$ 3 bilhões em dividendos e/ou juros sobre capital próprio, em duas parcelas, sendo a primeira após a efetivação da reorganização societária em curso e a segunda em 2007 após a aprovação das demonstrações financeiras do exercício de 2006. Hoje saíram mais detalhes do processo que, segundo operadores, não interferem na direção dos papéis em Bolsa. A assembléia de acionistas ocorrerá no dia 13 de novembro, às 10 horas. A empresa detalhou que minoritários detentores de ações ON da Telemar que não concordarem com as mudanças terão direito de retirada, podendo optar pelo recesso com base no valor do patrimônio líquido contábil da companhia (R$ 21,87 por ação) ou pelo patrimônio a preço de mercado (R$ 40,33) - considerando a posição acionária de 17 de abril deste ano. Em ambos os casos, há um deságio em relação ao preço atual da Telemar ON na Bolsa, que fechou ontem cotada a R$ 66,50. Na primeira hipótese, o deságio é de 67% e, na segunda, de 39,3%.

Agencia Estado,

28 de setembro de 2006 | 11h44

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