Telemar está mais perto de mudança de controle

A Telemar, maior operadora de telecomunicações do País, está mais próxima de realizar seus planos de fazer uma grande operação de troca de ações e migrar para o Novo Mercado da Bovespa, o que levaria a uma mudança no controle da empresa. As chances de a troca ser realizada aumentaram ontem depois que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) esclareceu três dúvidas que havia sobre o processo. A empresa propõe uma reestruturação em que todas as ações preferenciais (sem direito a voto) seriam trocadas por papéis com direito a voto. O controle seria pulverizado no mercado, sem o acordo que existe hoje entre grandes acionistas. "Esperamos concluir a operação até o fim de novembro", disse José Luís Salazar, diretor de Relações com Investidores da Telemar. Ainda esta semana, a operadora deve marcar a primeira assembléia, com prazo de 45 dias. A segunda deve ser marcada para depois de 10 dias e a terceira deve ser feita logo em seguida da segunda. Como a regulamentação exige 50% de quórum para as duas primeiras, a operação não deve ser apreciada nelas. A CVM definiu que, para a terceira assembléia, será exigida presença de 25% dos acionistas com ações preferenciais. A CVM respondeu a três indagações da Telemar, para situações que não eram previstas no regulamento. Por determinação do órgão, os detentores de ações preferenciais vão votar sobre a proporção de troca das ações, o que é inédito. Em sua resposta à Telemar, a CVM definiu que quem detiver papéis ordinários e preferenciais poderá votar, o que abre espaço para os atuais controladores participarem da decisão. Também disse que a terceira assembléia poderia ser feita logo em seguida da segunda. Era essa a interpretação da Telemar. Sobre o quórum da terceira assembléia, a empresa esperava que poderia ser feito sem limite mínimo, com os acionistas presentes. Mesmo assim, não ficaram decepcionados com a resposta. "O quórum de 25% é factível", disse Salazar. O mercado recebeu bem a posição da CVM. As ações ordinárias da Telemar subiram 6,49% ontem, e as preferenciais avançaram 3,75%. Os papéis que mais subiram ontem foram as ações ordinárias da Brasil Telecom Participações, com valorização de 8,79%, na expectativa de que a empresa busque uma operação parecida. "A decisão da CVM aumenta a probabilidade de aprovação", disse a analista Luciana Leocádia, da Ativa Corretora. "Se a operação for aprovada, todos tendem a ganhar." A migração para o Novo Mercado aumentaria a liquidez dos papéis e melhoraria a situação do acionista no caso de uma aquisição e a governança corporativa. A empresa também promete uma política de melhores dividendos. Em 2005, foram distribuídos cerca de R$ 1 bilhão aos acionistas. Para cada um dos dois primeiros anos da empresa nova, a promessa é de R$ 3 bilhões. A parte mais polêmica da operação é a mudança na participação dos acionistas. Com a troca, a participação dos preferencialistas no capital total cairia de 71,5% para 45,4%. A participação dos atuais controladores subiria de 13,8% para 23,6%. "Quem tem hoje ação preferencial teria uma participação menor numa empresa melhor", disse Luciana. "A decisão da CVM aumenta as chances de a reestruturação ser aprovada, mas ainda existe muita incerteza", escreveu o analista André Rocha, da Unibanco Corretora. Ele citou que a americana Brandes Investment Partners tem 8,75% das ações preferenciais da Telemar e continua contra a operação. "Acreditamos que outros investidores também podem compartilhar da visão da Brandes." Para reverter a situação, os executivos da Telemar fizeram uma peregrinação junto aos grandes acionistas. Já visitaram os maiores administradores de fundos de investimentos no Brasil e, na semana passada, o presidente da Telemar, Luiz Eduardo Falco, esteve nos EUA. "Gostaram de nossa disposição de discutir o assunto e esclarecer dúvidas", disse Salazar, que também participou da viagem. Esta semana, Falco encontra-se na Europa, ainda em visita a acionistas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.