Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Temor com guerra comercial diminui e Bolsa fecha em alta de 2%

No mercado de câmbio, o dólar cedeu 0,03% ante o real, cotado a R$ 3,9551, interrompendo uma sequência de seis altas seguidas

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2019 | 18h14

A percepção de arrefecimento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China deu condições para o índice Bovespa recuperar quase toda a perda da véspera, quando uma onda de aversão ao risco causou quedas generalizadas nos mercados de renda variável. O principal índice de ações do País fechou com alta de 2,06%, aos 102.163,69 pontos, próximo da máxima do dia. Os negócios somaram R$ 17,8 bilhões.

O dólar teve um dia de trégua após o nervosismo de segunda-feira, que levou a moeda para perto de R$ 4. Com o alívio no exterior, após a China não permitir desvalorização maior do yuan, a moeda americana teve uma manhã volátil, mas passou a operar perto da estabilidade e fechou cotada em R$ 3,9551, praticamente estável (-0,03%), interrompendo uma sequência de seis altas seguidas.

Guerra cambial menos provável

Os sinais de que a China não deve iniciar uma guerra cambial contra os Estados Unidos foi o gatilho de uma recuperação global dos mercados de ações. As bolsas de Nova York subiram mais de 1% e o MSCI Emerging Markets, que mede a variação das bolsas de 24 países emergentes, terminou o dia com ganho de 1,43%.

"O mercado está mais tranquilo com a volta do yuan", afirma o economista David Beker, do Bank of America Merrill Lynch, destacando que a preocupação de a guerra comercial se transforme em guerra cambial provocou forte nervosismo na segunda feira e segue no radar dos investidores.

Como a China fixou o valor do dólar a 6,9683 yuans, acima do nível de segunda-feira, houve melhora no humor do mercado internacional. "A China é uma economia importante para o mundo e desvalorizando a moeda, podemos eventualmente observar esse processo de guerra cambial se exacerbando", explicou.

Previdência volta a ser discutida

No ambiente doméstico, o noticiário foi considerado como um pano de fundo positivo, mas sem novidades que pudessem influenciar os negócios. No foco das atenções está a votação da reforma da Previdência em segundo turno na Câmara, cujas discussões se iniciam nesta terça-feira.

Para Rodrigo Franchini, responsável pela área de produtos da Monte Bravo, o avanço das ações dependerá daqui em diante do desafio do governo de promover a recuperação da economia doméstica, em meio ao ambiente de volatilidade do mercado internacional.

"A aprovação da reforma da Previdência está encaminhada e os juros recuam. Há ainda medidas microeconômicas, como a liberação de recursos do FGTS. O mercado agora estará mais atento à questão prática, uma vez que os indicadores mostram que a economia ainda está muito parada", disse. A reforma tributária, disse Franchini, é algo tão importante quanto a da Previdência, mas será mais difícil e demorado, tendo seus efeitos esperados para mais além.

Enquanto as incertezas persistem, os investidores estrangeiros continuam a retirar recursos da bolsa brasileira. Na última sexta-feira foram mais R$ 724,023 milhões, o que leva o acumulado do ano a um saldo negativo de R$ 11,984 bilhões. Em julho, mais de R$ 6,5 bilhões em recursos externos deixaram a Bolsa.

 

 

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